Os “gritos” de Portas vistos de Bruxelas

O excerto seguinte é retirado de uma peça da correspondente do Público em Bruxelas publicada ontem,  e é  elucidativo da  hipocrisia  que rege as relações entre os estados europeus e os burocratas de Bruxelas. Sobretudo, mostra a displicência e quase desprezo com que  um eurocrata anónimo se refere a Portugal, o País que, segundo ele, quando fala vale apenas 2% do PIB. 

Se um funcionário qualquer (que a jornalista não quis identificar e foi pena), fala assim de um País membro da União Europeia, como estranhar que o alemão Schauble, que segundo o eurocrata anónimo “vale 20% do PIB”, não trate o “nosso” Gaspar como a sua mascote?

Eis o excerto:

Gritos de PortasCalculo que os burocratas da troika olham para Gaspar e Moedas como o eurocrata anónimo que falou à correspondente do Público olhou para os “gritos” de Portas. Valem 2% do PIB!…

De que serve afinal ser “bom aluno” e ter muita “credibilidade”?

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6 respostas a Os “gritos” de Portas vistos de Bruxelas

  1. Pingback: Eurocratas anónimos voltam a atacar | VAI E VEM

  2. Andre Castro diz:

    Se pararmos de comprar BMWs, Bimbys, e submarinos, e se pararmos de fazer depósitos no Deutche Bank, vamos ver onde vão parar os 20% do PIB…. Quando o Euro estoirar vamos ver quem grita mais!

    @Tiago: Acha que a Alemanha não faz trabalho de bastidores? O único momento em que fomos bons a fazer isso foi com José Sócrates, sendo o auge desse trabalho o PEC4 que foi chumbado em toda a linha pela direita de braço dado com a esquerda radical. Tirando esse período, fomos sempre uns seguidistas, incapazes de criar parcerias com países em situações similares.

  3. Tiago diz:

    Obrigado pela sua resposta.
    Eu também fico chocado com a diferença de tratamento que hoje existe dentro da União. Aliás, acho que já nem vale a pena falar de “União”, porque infelizmente esse projecto está morto – só não está enterrado.
    Em todo o caso, tenho fundadas dúvidas que sejam “todos os eurocratas” que olham para os países em função do respectivo PIB. Daquilo que conheço dos meandros da política europeia – não que seja muito, mas sempre será alguma coisa -, hoje há uma divisão dentro da Comissão: a DG Ecfin (finanças) alinha com o BCE e a Alemanha, que têm de facto essa perspectiva; o resto das DG’s e presidência continuam fiéis ao seu papel de forçar um equilíbrio entre grandes e pequenos, favorecendo sempre que possível estes últimos. Até porque muitas dessas DG’s estão cheias de funcionários oriundos de pequenos países. O problema é que quem manda hoje é o Conselho (Alemanha e o BCE) e não a Comissão.

  4. Tiago, concordo com a sua leitura, o que eu pretendi salientar foi a maneira como estes eurocratas olham para os países e para os cidadãos. São tratados de acordo com o que representam em percentagem do Pib. Por isso, digo que tanto faz sermos “bons alunos” ou não que para eles o que conta é o que valemos em percentagem do Pib.

  5. Tiago diz:

    Gosto muito da sua analise neste blogue, mas Acho que aqui nao percebeu as entrelinhas e o tiro saiu-lhe ao lado. O seu comentário vê as coisas totalmente ao contrario.
    Para se perceber as palavras do eurocrata tem de se perceber que ele fala “eurocratês”. Provavelmente é funcionário da Comissão, com uma carreira de 20 ou 30 anos de Bruxelas e próximo da presidência. Não esquecer que o “método comunitário”, de que a Comissão é guardiã, foi feito para equilibrar pequenos e grandes países, tratando-os como iguais no processo de construção europeia. A crise europeia actual é, exactamente, a da pulverização deste método, em detrimento de um retorno ao método intergovernamental. País contra país.
    Assim, o que ele esta a dizer é, ao contrario do que sugere, uma reprimenda ao Governo português e não um elogio; esta a dizer, na sua linguagem, que o governo português é incompetente e negligente no processo comunitário (diz mesmo que não é suficientemente inteligente), e que enquanto o governo português continuar assim será sempre subserviente da Alemanha, que tem por natureza muito mais influencia e poder de decisão. Não esta portanto a dar razão a Schauble ou Gaspar, pelo contrario.
    O que ele aconselha é que o Governo português abra os olhos, se abstenha de bravatas individuais e volte a fazer o seu trabalho bem feito, de preferencia o dos bastidores – que sempre foi onde os pequenos países ganharam. Que seja astuto e regresse à posição de favorecer a politica que reforca a Comissão, e não a politica que favorece o país mais poderoso, na esperança que caiam migalhas da mesa.

  6. J. Madeira diz:

    Pode dizer-se que está interiorizado na nossa mentalidade provinciana!
    Quando os des-governantes exultam de contentamento com a ida aos mercados
    pagando quase 6% de juros e, a Alemanha cobra 0,2% para ser financiada … está
    tudo dito! Ouvir um nóvel ministro o sr. Maduro com um “curricullum” muito maior do
    que ele, fundamentar afirmações por ter falado com muitas e diferentes pessoas do
    norte da Europa … dá vontade de rir!!!

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