Os palpites dos conselheiros do Presidente

Conselho de EstadoJá não bastava o Conselho de Estado ser anunciado, como “notícia em primeira mão”  por um dos seus membros num programa de televisão.

Outro conselheiro, Luís Filipe Meneses antecipou, numa visita ao Bolhão,  que  “vai levar ao Conselho de Estado” desta segunda-feira, “um conselho”:  é “obrigação dos órgãos de soberania, do Estado e do Governo, passarem de si próprios uma ideia de estabilidade.

Marques Marques, por sua vez,  “adivinha, no próximo Conselho de Estado, uma estratégia de Cavaco Silva para preparar o futuro relacionamento com um Governo liderado pelo PS.

Já agora, para maior “transparência” o Presidente podia abrir no seu site uma página para conselhos dos portugueses ao Presidente antes dos Conselhos de Estado. Certamente receberia muitos contributos úteis, por exemplo, sugestões para  substituir alguns dos actuais conselheiros.

É que, a avaliar pelos resultados das reuniões do Conselho de Estado já se percebeu que  o Presidente só ouve os conselhos dos conselheiros alinhados com o governo e consigo próprio.

Por exemplo, o Presidente podia discutir os ganhos e as perdas do resgate do país que ele próprio ajudou a provocar. Como material de apoio podia levar uma gravação do último programa “Quadratura do Círculo”. Lobo Xavier podia ser “convidado especial” (como o Presidente fez com Gaspar numa das últimas reuniões do Conselho).

Podia também  acabar com o habitual comunicado final a dizer coisa nenhuma, e fazer ele próprio uma declaração em vez de serem os conselheiros a dar “cachas” na televisão ou “fugas” para os jornais sobre o conteúdo da reunião.

O Presidente esclareceria assim  o povo em geral e alguns dos  seus apoiantes, em particular,  o dono do  Pingo Doce, Soares dos Santos, que em entrevista à Antena 1 se queixou de que “quando há um Conselho de Estado nós não somos informados de nada”, “não há dossiês” e os conselheiros “vão todos de mãos vazias”. Desta vez, porém, a crer nas notícias,  os conselheiros não vão de “mãos vazias”, o Presidente mandou-lhes uns estudos.

E para “castigar”  os conselheiros-comentadores que andam a dar palpites na televisão o Presidente podia fazer uma “fugas” das intervenções  deles  para o povo ficasse a saber o que eles dizem à porta fechada.

 

 

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