Miguel foi atrás da pergunta

20130524_JornalNegocios

 Miguel Sousa Tavares (MST) é um escritor, comentador e jornalista de referência e publicou um novo livro, a propósito do qual foi entrevistado nos mais diversos órgãos de comunicação social, entre os quais o Jornal de Negócios, um jornal de referência na área económica.

Miguel é uma figura pública conhecida pela acutilância com que critica políticos, governos, presidentes e outras entidades públicas ou privadas. Mas Miguel Sousa Tavares não é um governante, nem alguém com capacidade de decidir ou influenciar a vida dos portugueses. As suas opiniões e análises sejam públicas ou privadas são apenas isso, opiniões de MST. Uns gostam de o ler e ouvir, outros não. Eu gosto.

Na entrevista ao Jornal de Negócios, Miguel respondeu a uma pergunta com  a frase provocadora e iconoclasta que podemos ler na capa do jornal. Posta assim na capa do jornal, a frase deu bronca e foi parar à Procuradoria-Geral da República. Miguel reconheceu que se excedeu e assumiu o erro:

Perguntaram-me não teme que apareça um palhaço aqui e eu disse já temos um; fui atrás da pergunta, mas reconheço que não o devia ter feito, não pelo professor Cavaco Silva enquanto político, mas pelo chefe de Estado que é uma entidade que eu respeito”  (Miguel Sousa Tavares).

Miguel excedeu-se, é verdade. Mas então o jornal que publicou a frase na capa, fê-lo com que objectivo? Para “entalar” Miguel e obrigá-lo a pedir desculpa? Não, certamente. Porque achou que a frase é certeira e merecia destaque? Talvez….Porque quis também ele, um jornal de referência, ser iconoclasta? É possível…

É que, a meu ver, tão excessivo foi Miguel como quem decidiu pôr na capa do jornal a frase do excesso. Porque noticiar implica fazer escolhas e se é verdade que Miguel escolheu associar Cavaco Silva ao palhaço, também é verdade que  de entre tudo o que  Miguel disse, o jornal escolheu a frase em que Miguel  se excedeu.

Daí que Cavaco Silva, o Presidente, tenha sido, assim, duplamente vítima de excesso: de Miguel Sousa Tavares e do Jornal de Negócios.

Nada, porém, que não tenha já acontecido a outros presidentes: Mário Soares foi muitas vezes mimoseado com a frase “vai trabalhar malandro”. “Malandros” e “palhaços”, enfim, são ossos do ofício do “ser político” em democracia…

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Esta entrada foi publicada em Comunicação e Política, Jornalismo, Presidente da República, Sociologia dos Média. ligação permanente.

4 respostas a Miguel foi atrás da pergunta

  1. Randi diz:

    Whoever wrote this, you know how to make a good aretilc.

  2. Pedro diz:

    O nivel do Jornal de Negocios faz-me corar. Pela entrevista que deve ter sido, assim como pela escolha espalhafatosa do titulo dessa edição do jornal.

  3. Carlos Serra diz:

    E Beppe Grillo ainda não processou Miguel Sousa Tavares, por ofender o seu bom nome com uma comparação tão infeliz?

  4. zilda diz:

    Bem observado

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