O sentimento genuíno dos portugueses, segundo o primeiro-ministro

Entrevista a Alfredo José de SousaO primeiro ministro e a sua maioria deram hoje sinais de forte incomodidade, chamamos-lhe assim, quanto à liberdade de expressão de personalidades que em declarações públicas defenderam novas eleições.

“Há um divórcio muito grande entre o que se vem dizendo no espaço público e aquele que é o sentimento genuíno dos portugueses”, afirmou Passos Coelho, acusando “aqueles que estão mais impacientes, ou mais desesperados”, de  confundirem os seus desejos pessoais com a vontade do país”. Diz o primeiro-ministro que “os portugueses não estão interessados em refregas políticas, estão interessados em vencer a crise “. 

Referia-se, claro está, às palavras de Mário Soares que afirmou que o governo já não tem legitimidade para se manter no poder.

Imagina-se que com as vaias que o esperam onde quer que vá  e com a segurança que o rodeia sempre  que  se desloca, o primeiro-ministro não tenha tido ultimamente oportunidade de auscultar “os portugueses” para poder saber qual é o seu “sentimento genuíno” e falar em nome deles. Ao contrário do que diz, ele,  primeiro-ministro, é que confunde “os seus desejos pessoais com a vontade do país”.

Outro episódio a mostrar a intolerância da maioria governamental perante a manifestação de opiniões não consonantes foi a acusação da vice-presidente do grupo parlamentar do PSD, Teresa Leal Coelho, ao provedor da Justiça, de não “dar garantias de imparcialidade” e de ter  excedido manifestamente o seu estatuto” em virtude das declarações que  este prestou hoje à Antena 1, na qual afirmou que “poderia haver um refrescamento da situação política se houvesse eleições legislativas antecipadas no mesmo dia das autárquicas.” O vice-presidente da bancada do CDS-PP, Hélder Amaral, reagiu no mesmo sentido, considerando que as declarações do provedor de Justiça não são «compatíveis» com um cargo que tem deveres de isenção consagrados na Constituição.

O PSD e o CDS  querem o Provedor caladinho e dizem-lhe para se deixar de “protagonismos políticos”,  isso é para eles e para os  comentadores “amigos”. O provedor que se guarde, em vez de andar a dar entrevistas. Responda às cartas que lhe escrevem e remeta-se à sua condição de “ouvidor” de queixas.

Pelos vistos, segundo o primeiro-ministro e a sua maioria, o “sentimento genuíno” dos portugueses é empobrecerem e aguentarem calados.

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