O poder de Gaspar e a impotência de Passos

Passos greve profsSe dúvidas houvesse sobre quem manda no governo, elas foram dissipadas por Vítor Gaspar quando perante os jornalistas declarou que se “arrepende de no início do mandato ter dado prioridade à consolidação orçamental e à estabilização financeira em vez de apostar na reforma das administrações públicas.

Foi assim que, com a maior naturalidade, Gaspar passou um atestado de incompetência e total irrelevância ao primeiro-ministro, que até agora não veio negar ter sido Vítor Gaspar a traçar “no início do mandato” as prioridades do governo. Já se sabia que Passos se deixou deslumbrar pelos académicos que levou para o governo pensando que com eles ultrapassaria a sua ignorância e falta de experiência em todos os domínios da governação.

O primeiro-ministro não cessa porém de surpreender pela sua falta de cultura política e democrática. O seu “apelo” aos professores para que canalizem os seus protestos para a greve geral suspendendo a paralisação convocada para dias de avaliações e exames nacionais“, é um gesto patético de quem não conhece  a fundamentação histórica do direito à greve nem tem consciência do que as suas políticas ou as do ministro Crato (certamente é este que define, como Gaspar para as finanças, as prioridades para a educação)  estão a fazer aos professores e aos alunos, hipotecando para muitos anos o futuro de milhares de jovens.  E essa hipoteca não resulta do prejuízo que a greve dos professores pode trazer às avaliações mas sim do desinvestimento que este governo tem feito na escola e nos seus agentes.

É evidente que a greve dos professores vai perturbar o final do ano lectivo e, eventualmente, atrasar a preparação do início do próximo ano. Nada, porém, que seja irremediável e possa  comparar-se ao que o governo tem feito e continua a fazer aos estudantes e às famílias. E isso não é recuperável.

Ao contrário do que parece, a revelação do “erro” de Gaspar foi uma afirmação de poder. Já o apelo de Passos aos professores foi uma confissão de desespero e de impotência.

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