Jornalismo de fontes e jornalismo que investiga as fontes

O conhecimento de alguns dos maiores escândalos da história mundial resultam de fugas de informação. Os Estados Unidos são pródigos em “fugas” que ficaram célebres.

Conhecemos nos últimos dias um novo caso de uma fuga monumental cujo desfecho não é ainda conhecido. Falo de Edward Snowden o agente da CIA que denunciou aos jornais The Guardian  e Washington Post  a existência do programa de espionagem com o nome de código PRISM, um sofisticado sistema  que permite interceptar dados de utilizadores de várias empresas como, por exemplo, o Facebook, a Microsoft ou o Skype.

Porém, sinal dos tempos, o autor da fuga de informação quis que a sua identidade e o seu rosto fossem conhecidos. Com isso pôs em risco a sua segurança e a sua vida, segundo afirmou ao The Guardian “para proteger as liberdades fundamentais das pessoas”. Não se sabe do seu paradeiro, mas será certamente capturado, extraditado  ou usado como moeda de troca. Nunca mais terá paz.  Sem dúvida, um acto de coragem e de cidadania.

Não foi assim com outras fugas de informação célebres verificadas também nos EUA. Cito o  Watergate – que conduziu à queda de Nixon após as fugas de informação de uma agente da CIA  que ficou conhecido como  “Garganta funda”, cedidas aos jornalistas Bob Woodward e Carl Bernstein, do Washington Post –  e também os “Papéis do Pentágono” – nome por que  ficaram conhecidos os documentos dos arquivos secretos do governo americano sobre a guerra no Vietname, cedidos ao New York Times  em 1971, que provaram que o governo mentia aos cidadãos. A sua identidade só anos depois foi conhecida.

Mas há um outro ângulo destas histórias: é que elas resultam de decisões de fontes internas  – insiders –  pessoas que trabalhavam dentro das organizações que realizavam os actos denunciados e decidiram confiá-los a jornalistas escolhidos, os quais, por sua vez, seguiram as pistas  e investigaram segundo as regras da profissão.

The GurdianOuvimos hoje o jornalista do The Guardian afirmar que há ainda informações por publicar e que não sabe quando serão publicadas porque “tencionam investigar cada uma delas”.

É essa a  diferença entre um jornalismo de fontes e um jornalismo que investiga as fontes. Fosse sempre assim e talvez a crise do jornalismo não fosse o que é.

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