Os ministros académicos falaram de cátedra à plebe dos professores…

CratoHá um vírus qualquer que ataca pessoas que antes pareciam recomendáveis e quando chegam ao governo as transforma em gente arrogante e prepotente.

Os argumentos do ministro Crato sobre os problemas levantados por sindicatos, pais e alunos em relação à equidade perante a existência de dois exames distintos para os alunos do 12.º ano, são de quem julga que somos todos parvos e que a sua palavra douta não necessita de coerência. Eis alguns:

“haverá um “rigoroso cumprimento na equidade da avaliação”, (…)  todos os anos é preparado “um conjunto de exames com igual grau de dificuldade”  « depois é sorteado um. O exame de dia 2 de Julho será sorteado entre os que restaram». (o grau de dificuldade pode ser igual mas isso não responde ao facto de quem não fez exame hoje ter mais tempo e menos stress para o fazer em 2 de Julho)

“Em caso algum, esse novo exame poderá prejudicar os alunos que o realizem nesse dia”,  (o problema não é prejudicar os que fizerem exame no dia 2  mas sim os que fizeram hoje) 

“Há um ano de diferença entre os alunos que fizeram este ano a prova e os que fizeram o ano passado e nós trabalhámos para que as provas feitas este ano e no ano passado tivessem o mesmo grau de dificuldade”. (que raio de argumento, o ministro não percebe que o problema não reside no grau de dificuldade mas nas condições  em que os exames foram realizados) 

Também se impõe esclarecer as afirmações do ministro Poiares Maduro, desmentidas pelos sindicatos dos professores. O ministro afirmou  que o Governo chegou a sugerir uma nova data para os exames de segunda-feira, mas a falta de compromisso por parte dos sindicatos inviabilizou essa solução. O ministro não participou nas negociações pelo que era bom saber quem está a enganar quem.

Os dois ministros, Crato e Maduro, tidos como brilhantes académicos, usaram a arrogância e o “falar de cátedra” pensando que assim dominariam a “plebe” dos professores. Enganaram-se. Que ao menos lhes sirva de emenda. E o primeiro-ministro talvez tenha aprendido que mais valia ter mandado “ministros políticos” a negociar com os sindicatos. Pelo menos, costumam ser menos arrogantes…

Anúncios
Esta entrada foi publicada em Comunicação e Política, Educação, Governo, Política com as etiquetas . ligação permanente.

Uma resposta a Os ministros académicos falaram de cátedra à plebe dos professores…

  1. RFC diz:

    … Apesar de o ruído mediático à volta do sr. Miguel Relvas ter abafado o que interessa, falar-se hoje no plural em académicos brilhantes é uma simpatia demasiada. Mesmo se forem tidos por tal… Pelo contrário: é público que o ministro Nuno Crato concluiu a licenciatura no ISEG com uns modestos 14 valores. Pode ler-se aqui (colar no browser, se necessário): http://sol.sapo.pt/inicio/Politica/Interior.aspx?content_id=54487 . Não se perdeu o brilho hoje, cedendo lugar à arrogância governamental, porque os seus pares não descobriram um brilhozinho especial quando ele tinha 20 anos.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s