Afinal, era mesmo um problema de comunicação

Os briefings do secretário de Estado Pedro Lomba com os jornalistas foram interrompidos sine die. Por mim, acho mal, porque o fluxo de informação desde que começaram os briefings prometia ajudar a resolver os problemas com que se debatem os meios de comunicação social. Há muito que não se viviam dias tão excitantes em termos noticiosos, com meio mundo à procura de notícias.

De facto, ao mesmo tempo que decorriam os briefings iam acontecendo coisas extraordinárias:

ao primeiro briefing, na segunda-feira, um ministro caíu; ao segundo, na terça-feira, caíu outro ministro… e ao terceiro, esta quarta-feira, estava previsto que as quedas continuassem com os ministros e secretários de Estado do CDS a apresentarem a demissão.

– mas eis que coincidindo com a interrupção dos briefings  o CDS manda dizer que afinal “vai negociar e até ao momento não há notícias de mais saídas de ministros…

– o Presidente ficou todo contente e  depois de ter convocado os partidos para quinta-feira mandou  dizer que afinal já não os recebe.

Há pois razões para pensar que os briefings ajudaram o governo a comunicar, senão melhor, pelo menos com maior rapidez.  Afinal, o problema do governo era mesmo um problema de comunicação.

Uma revisão da matéria ajuda a perceber o que se passou:

– o primeiro-ministro não percebeu que Portas estava contra a nomeação de Maria Luís Albuquerque para substituir Gaspar, posição que segundo o DN foi anunciada a Passos “nos últimos dias”;

– mas Portas também não percebeu que Passos não tinha percebido que ele se demitiria se Maria Luís fosse nomeada;

–  Passos enviou então um sms a Portas enquanto este viajava de avião.  Quando aterrou, Portas liga o telemóvel e eis que vê o sms de Passos em que este lhe dizia que ia enviar o nome de Maria Luís para Belém….

– Portas não percebeu o sms de Passos e resolver escrever-lhe a dizer que se demitia. Mas Passos não percebeu e anunciou ao país que ia falar com Portas para ver se percebia o que ele queria dizer com essa coisa de se demitir;

Depois foi o que se sabe. Passos foi para Berlim, Portas chamou os seus pares e a seguir percebeu que afinal não era bem isso que queria dizer. Anunciou então  que vai negociar com Passos.

Voltem os briefings.

 

 

 

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Esta entrada foi publicada em Comunicação e Política, Governo, Jornalismo, Política, Presidente da República, Sociologia dos Média. ligação permanente.

Uma resposta a Afinal, era mesmo um problema de comunicação

  1. EGR diz:

    Concordo com o seu apelo. Afinal os ditos sempre nos vão ajudando a perceber o enredo da peça.

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