Será que o Presidente já começou a escrever o próximo Prefácio?

Roteiros IVOs relatos jornalísticos sobre a demissão de Paulo Portas que desde há dois dias enchem as páginas dos jornais são unânimes na afirmação de que o Presidente da República não foi avisado por ninguém, nem por Passos Coelho nem por Paulo Portas, da demissão do ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros. Ou seja, quando fez declarações aos jornalistas dizendo que a queda do Governo só acontece por perda de uma maioria na Assembleia, Cavaco não sabia que a queda do Governo podia estar iminente

Essas declarações foram feitas a cerca de uma hora da posse da nova ministra das Finanças em Belém. Quando chegou ao Palácio, Cavaco reuniu a sós com Passos Coelho. A decisão de manter a posse deveu-se, segundo um dos presentes na cerimónia, a uma mera opção institucional.”

Aguarda-se, assim, pelo Prefácio do próximo volume dos “Roteiros” do Presidente, para conhecer a sua versão e a sua interpretação deste acontecimento.

Recorda-se que no último Prefácio ao volume “Roteiros IV” o Presidente deixou  críticas ao  governo anterior por situações de consequências muito menos graves do que aquelas com que agora ele e o País foram confrontados pelo actual governo. Recordo algumas dessas críticas.

Sobre ser “apanhado de surpresa”:

(…) “O anúncio do “PEC IV” apanhou‐me de surpresa. O Primeiro‐Ministro [José Sócrates] não me deu conhecimento prévio do programa, nem me tinha dado conta das medidas de austeridade orçamental que o Governo estava a preparar e da sua imprescindibilidade para atingir as metas do défice público previstas para 2011, 2012 e 2013.  (…) O Primeiro‐Ministro não informou previamente o Presidente da República da apresentação do Programa de Estabilidade e Crescimento às instituições comunitárias. Tratou‐se de uma falta de lealdade institucional que ficará registada na história da nossa democracia. O Presidente da República, nos termos constitucionais, deve ser informado acerca de assuntos respeitantes à condução da política interna e externa do País.” (Prefácio, pág 9)

Sobre a incapacidade do primeiro-ministro para dialogar:

Era sempre com grande contrariedade, e só depois de muito pressionado, que [o governo de José Sócrates] aceitava dialogar com os partidos da oposição para aprovar leis na Assembleia da República e para obter consensos imprescindíveis no tratamento de matérias de interesse nacional.” (Prefácio, pág.8)

Aguarda-se assim o registo do Presidente no próximo Prefácio da humilhante situação em que foi colocado quando num dia à tarde se preparava para dar posse a uma nova ministra e na  manhã desse mesmo dia  já outro ministro se demitira, sem que o Presidente  fosse disso informado pelo primeiro-ministro ou pelo próprio ministro demissionário.

Do mesmo modo se espera uma referência do Presidente no seu próximo Prefácio à incapacidade de diálogo do primeiro-ministro actual, não só com os partidos da oposição mas até com o seu próprio parceiro de coligação com os resultados  na credibilidade do País e dos políticos portugueses que estão à vista.

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