Corrupção: tomar a parte pelo todo

As notícias sobre os relatórios da Transparência e Integridade salientam que os portugueses acham que Portugal é um país de corruptos. São apenas percepções e os jornais dizem-no, mas o que fica no cidadão comum é que a corrupção grassa por tudo quanto é serviço público.

Pode ser que seja sssim, mas uma coisa são as  percepções dos cidadãos (formadas em grande parte através dos media) outra são os factos.

No citado relatório os valores são muito elevados quando se pergunta, sobre a corrupção,  “considera que”, ou  “pensa que”…. Mas quando se passa das percepções para os factos e se pergunta aos portugueses se pagaram subornos em serviços públicos (numa lista de instituições apresentada), os valores são os dos mais baixos, 3% contra uma média de 11% na Europa, em 2010.Transparência

Outro dado interessante é o facto de embora 80% dos portugueses se afirmem  disponíveis para “reportarem um acto de corrupção” mais de metade não o faz por recear consequências. 

Os inquéritos sobre percepções de fenómenos como a corrupção têm sempre cobertura jornalística superficial, limitada em geral aos dados mais sonantes sem que os mesmos sejam cruzados com outras variáveis. Por exemplo, no relatório hoje divulgado tal como em relatórios anteriores constata-se que os respondentes com “mais baixos rendimentos e mais baixos índices de escolaridade” são sempre os que mais dizem que a corrupção aumentou. São também os “mais vulneráveis ao hiper-sensacionalismo dos média”. Diz também o relatório que “quanto maior é o número de  notícias publicadas sobre corrupção mais negativa será a percepção dos que apresentam níveis mais baixos de literacia”.

Quem acompanha de perto as notícias nos diversos meios e plataformas pode até surpreender-se por os índices de percepção da corrupção em Portugal não serem ainda mais elevados. De facto,  não há um dia em que os média não  falem de corrupção, trate-se  de suspeitas, de condenações ou de qualquer outra situação de cuja legalidade se duvide, seja do governo actual, do anterior ou dos que antecederam o anterior.  Daí que conhecer as percepções sobre corrupção, embora seja importante e interessante é apenas uma parte do problema.

Sobre corrupção ver também aqui, aqui, aqui, aqui , aqui

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5 respostas a Corrupção: tomar a parte pelo todo

  1. VDF diz:

    Esse relatório não interessa nada ao nosso caso. O nosso problema não é a pequena corrupção do dia a dia em que precisas de pagar ao funcionário do centro de saúde para teres uma consulta ou ao professor para o teu filho passar de ano. A nossa é muito mais grave porque quem paga são normalmente empresas multinacionais, financeiras, etc. e quem recebe são pessoas com poder para alterar resultados de concursos públicos, fazer leis à medida, etc. Estamos a falar de quantias com 6 ou mais zeros e que fazem estragos monstruosos tanto nos gastos do estado, como nas receitas fiscais. Por isso um estudo que mede a quantidade de pessoas que pagam luvas não me diz nada.

  2. Pingback: Corrupção: tomar a parte pelo todo

  3. José Carrapa diz:

    O que existe e não parece ter um fim à vista é a grande corrupção das normas e leis deste país, em que polícias e magistrados perseguem os pilha-galinhas entupindo a “justiça”, é este jornalismo hipócrita que vem desviar as atenções do que é verdadeiramente grave, o roubo continuado que os detentores do poder fazem ao Estado e aos Cidadãos em benefício dos amigos e patrões quando saiem dos cargos governativos, para não falar da irreformável e omnipresente burocracia que aniquila toda a iniciativa privada e liberdade de escolha.

  4. josecoutonogueira diz:

    Não li o relatório, mas logo numa primeira impressão entre o que lá está e o que a Estrela diz vejo uma diferença fundamental: dois tipos de corrupção. Quando os portugueses falam da corrupção, estão a referir-se ao tráfego de influências, circuitos de amigos e interesses que existem entre o poder político e os homens de negócios. É o empreiteiro que paga “luvas” para o vereador apressar a obra da rotunda, digamos assim. Agora, a corrupção ao mais baixo nível, ou seja, o funcionário do guichet que recebe 50€ para apressar o processo, isso há muito pouco em Portugal. Não há contradição, apenas níveis diferentes.

  5. Portugal é um país de corruptos………noutro país eles estavam presos……que vergonha…….

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