Achegas para compreender a estratégia do Presidente

O lento ritmo das reuniões entre os partidos que responderam à chamada do Presidente para se entenderem sobre a  concretização de uma  proposta que parece à partida votada ao fracasso, faz crer que as coisas não são bem o que parecem.

De facto, como acreditar que o  Presidente conhecendo os efeitos do impasse em que a solução que impôs aos partidos lançou o País, continue a agir como se Portugal dispusesse de todo o tempo do mundo para voltar à “normalidade” (dentro da anormalidade em que vivemos) e se prepare até para uma visita  às Selvagens no meio de uma crise desta dimensão?

Não faz pois sentido pensar que as coisas são como parecem, isto é, que o Presidente espera que vai sair  alguma coisa de concreto e positivo das conversas entre o PSD, o PS e o CDS. Há, pois, que encontrar outra explicação para o que está a acontecer.

À medida que os dias vão passando, vamos sabendo que a situação do País é pior do que pensávamos. Este título do Diário Económico ajuda a perceber algumas coisas.  A Unidade Técnica de Apoio Orçamental (UTAO) alerta que “os recentes desenvolvimentos no plano político podem constituir um elemento de incerteza e de risco acrescido em torno das perspetivas para o desempenho orçamental, que estão já pressionadas pelos números do primeiro trimestre.”

A execução orçamentar do primeiro trimestre é, pois, desastrosa. Por outro lado, o governo não tem condições para cumprir o que prometeu à troika, a reforma do Estado e o corte dos  4,5 mil milhões são miragens e o Presidente sabe que está profundamente comprometido com este governo e esta política.

Como resolver então o problema, terão pensado os cérebros que o aconselham. Ora, Gaspar e Portas ofereceram ao Presidente a oportunidade de  uma fuga para a frente. A estratégia é então traçada: chamar os três partidos, comprometê-los e responsabilizá-los pelo agravar da crise se não conseguirem entender-se com base numa cartilha que o Presidente  e os seus conselheiros lhes impuseram. Se não se entenderem a responsabilidade não será já do Presidente.

O agravamento da situação do País será então atribuído ao tempo que os partidos demoraram a entender-se. E como dificilmente se entenderão no sentido desejado pelo Presidente, o culpado será aquele que maior resistência oferece a “embarcar” na estratégia do Presidente, isto é o PS. Basta ouvir os “Catrogas” e outros ditos “cavaquistas” para perceber a “cama” que está a ser feita ao PS.

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3 respostas a Achegas para compreender a estratégia do Presidente

  1. É lamentável que o PS se tenha tornado no partido que aceitou isto.

  2. M. Martins diz:

    Sejam as elições quando forem o PS já perdeu.

  3. EGR diz:

    Estou inteiramente de acordo com a sua análise. O PR vai fazer um daqueles discursos em que tenta, com cinismo, colocar-se acima dos partidos- que no fundo ele detesta- e procura lançar para o esquecimento o seu comprometimento com a situação.
    Lamento que o PS tenha mordido o isco.

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