Uma bela duma farsa

O País devia ter sido poupado pelo Presidente ao espectáculo lamentável da última semana. Para que serviu toda esta encenação de delegações de partidos deslocando-se em carros de vidros foscos de uma sede para outra, pessoas a entrarem mudas e saírem caladas, furando a custo filas de repórteres empunhando  microfones e câmaras, mendigando uma palavra, um sinal, um gesto, algo que os ajudasse a confirmar que a “salvação nacional” estava no bom caminho…. ?

Foi de facto um espectáculo deprimente a todos os títulos: político e mediático.

O Presidente até parecia contente, ontem, no meio das cagarras, afirmando que estava confiante no acordo, elogiou mesmo os partidos e condenou os “traidores”, inimigos do acordo. Temos pois que ou o  “observador” que o Presidente enviou às reuniões, David Justino, não percebeu o que se discutia ou então o Presidente representou uma bela duma farsa para todos nós.

É impossível crer que o Presidente acreditava na solução que propôs. Por isso, é legítimo pensar que apenas pretendeu transferir a responsabilidade do “não acordo” para os partidos, nomeadamente para o PS que  não podia aceitar prolongar o desastre da governação Passos-Portas.

O Presidente não conseguiu o caminho para a  “salvação nacional” que propôs. Mas conseguiu passar a ideia de que  a “salvação nacional” só não será conseguida por culpa dos partidos, em particular do  PS.

Foi ainda uma semana em que o jornalismo entre-portas regressou. Foram horas à espera de nada, com os jornalistas no papel de pés de microfone lendo comunicados que nada diziam.

Uma nota  enternecedora do desencanto que o fracasso da “salvação nacional” provocou em muitos jornalistas, foi  dada hoje por uma repórter a perguntar a Maria de Belém, à porta da sede do PS, se “a salvação nacional não mereceria que o PS se mantivesse nas negociações”.

Resta agora esperar que o Presidente não se lembre de pôr outra vez o País em banho-Maria enquanto vai em  excursão às Desertas.

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3 respostas a Uma bela duma farsa

  1. Pingback: Uma bela duma farsa

  2. Obg, João. Farilhões, é boa ideia…:-)

  3. Muito Bom!
    Gostaria ainda, humildemente, de sugerir os Farilhões, não como alternativa às Desertas, mas antes como solução de recurso na hipótese – mais que provável – de estas não cumprirem o presidencial desiderato de procrastinar a decisão mais uns tempos. Não vejo porque subestimá-los!

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