Estranha forma de ver a democracia

Poiares MaduroO ministro Poiares Maduro voltou a dizer que  “nenhuma democracia sobrevive quando tudo é permanentemente  contestado”.

Já em Maio passado numa conferência no ICS, na qual avisou os jornalistas de que iria repetir 49 vezes a palavra “consenso”, o ministro expôs  a sua teoria sobre a democracia:

Uma democracia não sobrevive assente apenas no consenso. Ela exige contraposição 
entre diferentes pontos de vista e uma genuína competição política. 
Mas democracia é, igualmente, cooperação. E nenhuma democracia sobrevive quando tudo é contestado e a política deixa de ser um instrumento regulador dos conflitos sociais para passar a ser, antes, a origem dos mesmos.” (sublinhados acrescentados no texto)

É uma estranha concepção de democracia a do ministro. O seu governo possui uma maioria parlamentar, o que significa que teoricamente representa mais de metade dos portugueses. No Parlamento, o governo aprova tudo o que quer aprovar. O Presidente apoia explicitamente o governo.  Mesmo assim o ministro Maduro lamenta que “tudo seja permanentemente contestado”.

É verdade que o governo é contestado pela grande maioria dos cidadãos e que os média fazem eco dessa contestação. Também é certo que o sistema mediático português, nomeadamente as televisões, alimentam uma doentia “debatite” em que todos  falam de tudo e poucos sabem do que falam. Mas também é  verdade que entre esses se contam uma maioria de pessoas ligadas ou próximas do governo.

Para obviar ao que chama de “contestação permanente” o ministro criou briefings diários com jornalistas (interrompidos depois da demissão de Gaspar e Portas) com o objectivo de  “orientar” os jornalistas num sentido “politicamente correcto”, definido pelo governo.  Pensa o ministro que assim a “democracia sobrevive”.

Engana-se o ministro! É precisamente através da discussão e do contraditório que a democracia se aperfeiçoa e sobrevive. O consenso  entre partidos políticos concorrentes é em democracia a excepção e não a regra.

O Presidente queria “consenso” para vários anos, anulando o principal partido da oposição. Não conseguiu. O ministro com o pelouro dos média, Poiares Maduro, insiste num “consenso” para evitar a “contestação permanente”. Ora, se há coisa que não se vê em Portugal é “contestação permanante”.

Será que o ministro Poiares Maduro quer o “consenso” dos média para acabar com o que chama de “contestação permanente” nos próprios média? Mas essa também não existe…

O que pretende então o ministro?

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Esta entrada foi publicada em Comunicação e Política, Governo, Jornalismo, Sociologia dos Média. ligação permanente.

Uma resposta a Estranha forma de ver a democracia

  1. O que é a democracia?… É um sistema onde quatro lobos e uma ovelha decidem o que vai ser o jantar!

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