O passo maior que a perna

mentiras nos swapsDepois das intervenções dos “senadores” do PSD –  Marques Mendes, Marcelo Rebelo de Sousa e António Capucho – e das revelações da SIC, parece agora óbvio que o secretário de Estado Pais Jorge será demitido ou se demitirá do governo. Fatal como o destino.

Depois de tanto ter sido dito e escrito sobre os swaps desconhece-se ainda  quem traçou a estratégia de fazer dos swaps arma de arremesso contra o anterior governo e entregou a Maria Luís Albuquerque tão arriscada tarefa. Certamente alguém que pouco ou nada sabia de política e muito menos de comunicação e ainda menos de jornalismo. Quem sabe se não terá sido Vitor Gaspar, figura sibilina cujo verdadeiro papel no governo e no país um dia se conhecerá?

Percebe-se agora que nem os governantes anteriores e actuais, nem os jornalistas, incluindo  da área económica, sabiam verdadeiramente o que eram os swaps. Quando não, e ainda que os governantes os quisessem esconder, como se compreende que os jornalistas não tivessem descoberto o que agora se sabe?

Parece pois  poder concluir-se que apenas os funcionários e dirigentes do sistema financeiro que criam e vendem swaps, e quadros intermédios de empresas e da administração pública (como Albuquerque, Pais Jorge, Sérgio Monteiro e poucos mais que com eles se cruzaram) sabiam verdadeiramente o que são esses instrumentos de roleta.

O assunto swaps não era, pois, tema da agenda política ou jornalística. Até que surgiu a “bomba”  lançada por Maria Luís Albuquerque. Inexperiente e querendo mostrar serviço, a novel e inexperiente governante não cuidou de se informar sobre “quem é quem” na história dos swaps. Pensou que lhe bastaria dizer meias verdades, mentiras e mentirinhas porque em assunto tão “complexo” (a sua maior desculpa para explicar não ter feito nada durante dois anos) ninguém lhe faria frente.

Enganou-se. Não contou com o fluxo imparável de informação que se seguiria às suas meias-informações e meias-verdades. A exposição pública da sua pessoa nas audições parlamentares e entrevistas a que foi obrigada, puseram a nú as suas forças e fraquezas (mais estas que aquelas) sujeitando- a a um escrutínio permanente, não apenas por parte de deputados e jornalistas mas sobretudo da opinião pública que assistiu às suas prestações e contradições.

A escolha do secretário de Estado Pais Jorge e a confiança que Maria Luís lhe manifestou depois do que se passou e do que ela sabia sobre ele e nós mal descobrimos nos últimos dias, rematou a desastrosa estratégia de que foi incumbida.

Consciente ou inconscientemente, Maria Luís deu um passo maior que a perna.  

 

Anúncios
Esta entrada foi publicada em Comunicação e Política, Governo, Jornalismo, Política, Sociedade com as etiquetas , . ligação permanente.

2 respostas a O passo maior que a perna

  1. Apartidário diz:

    e o pina, o socretino, o teixeira, triste sina a do JORNALEIRO que traduziu e palrou o patuá do balsemão. oh jornaleiro de caca, és um Capacho da corja!

  2. Sim, ninguém sabia o que eram swaps. O Jerónimo de Sousa começou a falar de “sacos azuis”…

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s