Os briefings do governo continuam azarados

O ministro Poiares Maduro disse hoje aos jornalistas que compareceram no briefing que não quer que os briefings se transformem numa “fonte de ruído” tal que afecte a finalidade de uma “comunicação regular, transparente”.

Tem toda a razão.

O problema é que o briefing de hoje continuou a provocar “ruído”. Desta vez não foi Pedro Lomba mas o próprio ministro a tentar em vão apagar o fogo lançado pelo ministério das Finanças com as cartas que está a enviar a funcionários públicos com propostas de rescisão.

A questão é que no briefing de hoje  o ministro disse que “as cartas enviadas a propósito das rescisões amigáveis na Função Pública são um processo normal de informação aos funcionários” e lembrou que “o Governo tem um `site` criado para esse efeito e os serviços podem, para além, disso, através de cartas, e de outras formas de divulgação de informação, contactar os funcionários para lhes dar conhecimento dessa possibilidade”.

Mas a SIC teve acesso à carta e afirma que o documento pergunta ao trabalhador se está interessado em rescindir e informa do valor da indemnização. “A carta funciona como  um convite e a informação serve apenas  para efeitos estatisticos”, diz a SIC citando a carta.

carta aos funcionários públicosTambém a RTP afirma que a carta contém um “inquérito anónimo  para aferir do número eventual de trabalhadores disponíveis para aderir ao Programa de Rescisões por Mútuo Acordo”. Segundo a RTP, a carta  solicita aos trabalhadores que preencham um inquérito, que decorrerá até 23 de agosto, para “aferir do número eventual de trabalhadores disponíveis para aderir ao Programa de Rescisões por Mútuo Acordo”.

Como se vê, há aqui qualquer coisa que não bate certo. O ministro diz que a carta enviada é um “processo normal de informação aos cidadãos”. Mas das duas uma: ou o ministro não conhece o teor da carta ou conhece e a versão que foi dada aos jornalistas não é igual à que ele conhece. Terá sido “forjada” (para usar uma expressão cara ao ministério das Finanças)?

É que não é crível que o ministro conheça uma carta onde se inquirem os funcionários “para efeitos estatísticos” e diga que se trata apenas de “disponibilizar informação às pessoas”.

Pode haver quem no governo não distinga uma informação de um inquérito mas certamente não será o ministro Poiares Maduro.

Ou os briefings andam mesmo azarados ou os oradores não acertam uma!

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Uma resposta a Os briefings do governo continuam azarados

  1. maria diz:

    Os oradores não acertam uma. Mas isso já estamos habituados, não assim?

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