Visões sobre a crise do jornalismo (2)

“(…) Não foi [o sensacionalismo] que afastou os consumidores. Foram estes que se afastaram do jornalismo “não sensacionalista” em formato papel e rumaram ao digital. É por isso que o Correio da Manhã não perdeu leitores e se olharmos para os números dos últimos anos (se neles se pode confiar é outra história que não é chamada ao caso) até continuam a aumentar enquanto o Público e o DN os perdem de uma forma…eu diria…agressiva. (…)”

Os números  parecem dar razão ao argumento de Fernando Moreira de Sá (FMS) quanto ao afastamento dos leitores de títulos  “não sensacionalistas”. De facto, os únicos títulos que não sofreram quebras na circulação nos últimos anos foram o Correio da Manhã, no segmento dos jornais diários, e a TV Mais, no segmento  revistas de televisão. Este último,  vocacionado para a cobertura dos casos e dos protagonistas da televisão, é aliás o segmento onde as quebras de circulação têm sido menores, ao contrário, por exemplo, das revistas de sociedade, que sofreram queda.

A constatação mais importante reside no facto de  a generalidade das publicações apresentar quebras sucessivas na circulação em todos os segmentos, incluindo o Expresso que não obstante manter valores significativos em circulação e quota de mercado desceu nos últimos 10 anos. Ao contrário, a Visão e a Sábado (sobretudo esta) cresceram significativamente no mesmo período.

Podemos sempre dizer que a crise da imprensa não é apenas um fenómeno português, o que é um facto, embora a fragilidade do sistema dos média em Portugal tenha raízes profundas devido à exiguidade do mercado e ao “fosso” existente entre as audiências da televisão e dos jornais. A concorrência dos meios audiovisuais,  a diminuição do poder de compra dos cidadãos, a falta de hábitos de leitura da grande maioria da população e a inadequação do conteúdo ao potencial destinatário, têm sido explicações avançadas para a débil situação da imprensa portuguesa.

Porém, para compreendermos a evolução do sistema dos média em Portugal impõe-se  analisar  outras variáveis como seja perceber o “factor internet” como fenómeno cultural, comunicacional e económico, assim como as suas consequências nos média tradicionais, nomeadamente no jornalismo, sem esquecer campos conexos como a política, como também refere FMS a quem agradeço este tão interessante diálogo.

Ver também aqui

Anúncios
Esta entrada foi publicada em Audiências, Comunicação e Política, Imprensa, Jornalismo, Sociedade, Sociologia dos Média. ligação permanente.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s