Visões sobre a crise do jornalismo

Muitos se interrogam sobre as causas da crise do jornalismo,  se o jornalismo ainda se guia pelos valores da procura da verdade, da independência e da equidistância face aos diversos poderes ou se, pelo contrário, o jornalismo é hoje uma indústria cuja mercadoria – a informação – se orienta prioritariamente para o mercado, sujeita às leis da oferta e da procura, lutando pela sobrevivência como qualquer outro sector da economia.

Outras visões atribuem o declínio do jornalismo à internet e às facilidades e possibilidades que proporciona de captação e produção, sem custos, de informação e de participação na discussão pública, através de formas de democracia participativa nas redes sociais e em múltiplas plataformas que dispensam ou tornam acessória a informação publicada nos média tradicionais.

Esta discussão veio  recentemente à superfície neste artigo do jornalista Nuno Ramos de Almeida publicado no jornal i.  Para o autor, o jornalismo tornou-se sensacionalista e deixou de interessar aos cidadãos porque “os jornalistas não estão a cumprir devidamente o seu papel de informar com qualidade.”

No blog Aventar, Fernando Moreira de Sá questionou a perspectiva de Nuno Ramos de Almeida,  atribuindo a crise do jornalismo não ao  jornalismo sensacionalista mas ao esgotamento do modelo de negócio tradicional – o financiamento através da publicidade – e ao facto de esse modelo  não ter sido substituído por um modelo rentável centrado na informação digital.

A discussão é interessante e o diagnóstico não se esgota nas visões representadas por estes dois artigos. Nem pode, talvez, ser desligada da discussão sobre o declínio de outros “campos” próximos do jornalismo, como sejam a política tal como é hoje praticada.

Diria que jornalismo e política, outrora pilares essenciais da democracia, estão hoje em crise e com eles  também a democracia  está em crise.

Haverá alguma relação de causa e efeito nesta premissa?

Uma  resposta sustentada deverá apoiar-se num  diagnóstico rigoroso, baseado em evidência empírica e em análises dos dois universos. Tema de inegável interesse académico e profissional. 

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Esta entrada foi publicada em Jornalismo, Política, Sociologia dos Média. ligação permanente.

5 respostas a Visões sobre a crise do jornalismo

  1. cristof9 diz:

    O Jornalismo está diferente com os leitorees a quererem intervir. bons jornalistas desde que não arrogantes vão triunfar sempre. Saber mudar foi sempre uma caracterisitica inata aos vencedores. Hoje como desde a 14000 anos até hoje.

  2. Pingback: Visões sobre a crise do jornalismo (2) | VAI E VEM

  3. Agradecendo a citação, aproveito para enviar o link de uma “ligeira” réplica:

    http://aventar.eu/2013/08/23/o-jornalismo-e-o-sensacionalismo-2/

  4. Pingback: O Jornalismo e o sensacionalismo – 2 – Aventar

  5. Alcoólico Anónimo diz:

    Noutros países os modelos de negocio do jornalismo também mudaram e nao foi por isso que piorou antes pelo contrario. nao, o jornalismo piorou porque em Portugal os valores do jornalismo livre e honesto e da democracia nunca tiveram a maturidade suficiente.

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