Viagens na minha terra

MinhoSempre que viajo pelo norte e fico uns dias por aqui, lembro-me das críticas ao dinheiro gasto em  auto-estradas e as acusações aos autarcas que fazem sei lá o quê para ganharem eleições.

Fazer férias cá dentro tem os seus encantos. E o norte é sempre uma descoberta para uma alentejana feita lisboeta que nos últimos anos se habituou a férias no Algarve.

Chega-se ao Minho depressa por auto-estrada. É certo que nas estações de serviço um café custa mais de um euro (preços de aeroporto), mas longe vai o tempo em que a viagem durava quase o dia inteiro, uma autêntica estafa para vir e voltar. Chegar por auto-estrada e descobrir depois o interior pelas estradas secundárias, encontrar paisagens, gentes e costumes que desconhecíamos ou tinhamos esquecido, revelou-se uma boa opção.

Confirmei uma vez mais que nada melhor para descansar  do que fugir das praias nesta altura do ano. À chegada, o pequeno hotel escolhido na internet (as alternativas não eram muitas) foi uma agradável surpresa. O ar condicionado não faz barulho, o wireless é gratuito e chega aos quartos, a televisão por cabo funciona com uma enorme variedade de canais. Água engarrafada no quarto cedida pelo hotel, pequeno almoço buffet, pessoal  atencioso até mais não poder.

Havia um senão que me fez hesitar na escolha: o restaurante do hotel está fechado (o que era chato para o caso de preferir ficar por aqui parte do dia) apenas o bar serve refeições ligeiras… A 100 metros podia comer refeições “normais” se quisesse permanecer por perto, informou-me o recepcionista ao telefone …

E aí foi a maior surpresa: um restaurante cuja qualidade e variedade devia fazê-lo constar dos roteiros gastronómicos do norte do país. No primeiro dia, armei-me em finória a perguntar se os filetes de pescada (coisa que adoro quando são bem feitos) eram de peixe fresco. Logo o atencioso empregado me disse que se não gostasse podia escolher outro prato. Escolhi uma meia-dose. Acho que nunca comi filetes de pescada tão bons…No dia seguinte, voltei a escolher filetes mudando o acompanhamento que veio com arroz de gambas – em Lisboa o arroz de gambas é prato principal, não é acompanhamento…E o tamanho das doses…meu Deus, uma meia dose dá para dois! E as sobremesas, bom nem olhar….para não haver tentações.

E será que há por aqui sítios para andar a pé, terreno plano, etc., indaguei  à chegada (novamente manias de citadina burguesa …) Sim, disse-me o recepcionista e marcou-me o trajecto no mapa. Não fosse o calor e o sol abrasador que só permite a marcha a pé de manhã cedo e ao fim do dia e a escolha  seria perfeita…

Continuo a pensar que o poder local foi uma verdadeira “conquista do 25 de Abril”. E por muito que se critiquem os autarcas por fazerem “obra” e o investimento público em auto-estradas, a verdade é que nos últimos dois anos a nível do governo central tem sido só destruir sem nada criar. É certo que há muitas rotundas por aqui mas noto que elas disciplinam os condutores que sabem parar quando devem, ao contrário do que se encontra em zonas oude os condutores desconhecem prioridades e entram nas rotundas como patos bravos à solta.

Vale a pena votar, e votar bem, em eleições autárquicas. São os autarcas que cuidam de tornar menos penoso o  dia-a-dia nas cidades, vilas ou aldeias deste nosso país. Porque do governo central só chegam cortes, restrições, tristezas….

Aprendemos sempre viajando na nossa terra.

 

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11 respostas a Viagens na minha terra

  1. Fernando diz:

    É claro que muitas autoestradas são importantes, agora, escusavam era de fazer quase 3 paralelas, e umas quantas completamente dispensáveis. A Dra Serrano provavelmente nos anos 80 era daquelas (como toda a esquerda) chamava ao Cavaco o político do betão, por este finalizar a A1, a Via do Infante, parte da A2 e umas quantas IP’s, tudo eixos importantes e não coisas paralelas.
    Política à parte, ao ler o seu texto, o mesmo parecia também uma estadia minha recente, pensei que até estivesse a falar do mesmo local, e afinal não era, mas curiosamente não fica longe da Caniçada, era em Bouro. Pelo que isto não são coincidências, no Minho somos em geral (passe as generalizações excessivas) bem tratados.

  2. Vicente Silva diz:

    O mal dos “magrebinos”,que eu igualmente já fui,é usarem uma agulha magnética com um erro de 180 graus.Venham até ao Norte e não tenham medo dos “guerreiros” e “dragões.”

  3. Sim, o restaurante é excelente, vale a pena a paragem e a cidade bem simpática…

  4. joaquim Gomes diz:

    Moutados é em V.N.Famalicão….

  5. B.P. diz:

    Quando vejo comentários como este da Estrela Serrano, apontando o dedo para o óbvio ululante, pergunto-me sempre: mas esta gente vive onde?

  6. Caniçada, miguelcreis. O restaurante onde comi os tais filetes de pescada fica noutro local e chama-se Moutados…:-)

  7. Certíssimo, Pedro Vieira…:-)

  8. Pedro Vieira diz:

    Esta foto foi tirada na barragem da Caniçada, na fronteira entre Vieira do Minho e Terras de Bouro, certo?
    Local fantástico!

  9. A única coisa que aqui está completamente errado, é o manter segredo sobre os locais. Também gostava de ir comer os melhores filetes de pescada de sempre 🙂

  10. Fico com a sensação que descobriu o Norte.

  11. Pois, o norte! Se 90% dos lisboetas o conhecessem, mais as suas gentes…

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