Sim, senhor ministro

Poiares Maduro hoje no International Club of PortugalTenho criticado declarações do ministro Poiares Maduro mas hoje vou dar-lhe razão  em algumas coisas que disse no almoço-debate sobre “Os desafios do futuro”, promovido pelo “International Club of Portugal”.

Leiam-se algumas das declarações do ministro:

“Questiono-[me]  se, mesmo hoje, existe uma efectiva percepção da realidade: “Por vezes, no debate público, poder-se-ia ficar com a impressão de que não compreendemos ainda, muitos de nós, a gravidade e dimensão real dos desafios a superar”.

É verdade, senhor ministro. Os seus briefings queriam dar aos portugueses “uma efectiva percepção da realidade” mas em cada briefing ficava-se “com a impressão” de que o seu porta-voz não percebia “a dimensão real dos desafios a superar” e até demitiu em directo o colega dos swapps.

Ministro: “O futuro depende essencialmente da melhoria que temos de conseguir na nossa cultura política”.

Sim, senhor ministro. “Veja se consegue melhorar a cultura política e democrática do primeiro-ministro antes do próximo acórdão do Tribunal Constitucional” para evitar mais bacoradas.

Ministro: “os cidadãos sentem-se crescentemente desorientados quanto à realidade em que as opções políticas têm de ter lugar”, em grande parte pela falta de “acordo quanto aos processos credíveis de apuramento dos factos em que se baseiam as decisões políticas.”

Sim, senhor ministro: veja o caso da reforma do Estado: o governo anuncia os despedimentos dos funcionários públicos, aumento das horas de trabalho, diminuição dos salários, corte de pensões, antes de divulgar e pôr a debate a reforma do Estado. Não admira pois que os portugueses andem “desorientados quanto à realidade em que as opções políticas têm de ter lugar” e desconfiem que faltam “processos credíveis de apuramento dos factos em que se baseiam as decisões políticas.”

Ministro: “Temos de ter uma cultura política correspondente à democracia que alcançámos e ao futuro que desejamos. “

Sim, senhor ministro, mas quer mesmo “uma cultura política correspondente à democracia que alcançámos e ao futuro que desejamos”?  É que com a pobreza  que o primeiro-ministro anda a semear a democracia vai ser uma treta e o futuro um pesadelo. 

Sim, senhor ministro, Quem o ouviu deve ter apreciado sobretudo o seu ar blasé e o cabelo desalinhado. Ah, pois, o discurso…..era mais para estrangeiro ouvir…

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3 respostas a Sim, senhor ministro

  1. Erald Bast diz:

    O elevado pragmatismo, poder-se-ia dizer neo-construtivista, aliado ao entusiamo muito bem apropriado da autora nas respostas ao “ministro”, é com certeza um bálsamo para todas as mentes esclarecidas de Portugal. Abstraindo-se os demais, que não possuem tão objetivo pensamento crítico-reflexivo, como o da mesma.

  2. Bmonteiro diz:

    Bravo.
    Apesar de não considerar o XIX GC responsável pela situação
    atingida em 2010-11.
    Do/s Gov/s anteriores.

  3. maria diz:

    Olha que pena!!!

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