Os do FMI serão doidos, estão a gozar connosco, divertem-se a fazer relatórios?

O relatório do FMI publicado esta terça-feira veio baralhar a “classe política” e fazer o pleno das críticas. Todos contra o FMI.

O PSD voltou aos tempos em que era ao mesmo tempo o partido do governo e da oposição. Passos cala-se e manda o seu porta-voz, Marco António (o homem que tinha pressa de “ir ao pote”) bradar contra o Fundo, ao mesmo tempo que a sua ministra Albuquerque defende que tudo fique  na mesma, isto é, não apoia o relatório do FMI.

O CDS manda o ministro Pires de Lima dizer o que Portas dizia antes mas não pode agora dizer porque desde que se demitiu irrevogavelmente é ele o negociador com os da troika.

Não vale a pena acusar o FMI de incongruência, contradição. etc.. Já é hábito o Fundo elaborar relatórios. Ao menos isso. A Comissão e o BCE é só paleio. O Fundo trabalha e publica.

Mas há uma questão: porque é que o FMI publicou agora este relatório, explicando logo no início do texto, que foi elaborado em 21 de Junho de 2013 para um briefing com a direcção do Fundo em 24 de Julho seguinte numa reunião onde não foram tomadas decisões?

É importante perceber a estratégia do Fundo. Põe um relatório cá fora no momento em que participa na avaliação de um país resgatado ao qual vão ser impostas medidas que o mesmo relatório discute e contesta. O FMI não podia ignorar que o país em avaliação – Portugal –  ia ficar baralhado perante  a contradição entre o relatório e a receita aplicada a esse país.

Podemos perguntar: os do FMI serão doidos, estão a gozar connosco, divertem-se a fazer relatórios ou estão a prevenir o que hão-de dizer e fazer quando não puderem continuar a afirmar  que o programa de resgate aplicado a Portugal (e à Grécia) é um êxito?

Ou será uma guerra interna no seio da troika, em que o FMI não consegue convencer os seus pares a alterar os programas de resgate e publica estes relatórios em momentos estratégicos como forma de pressão sobre o BCE e a Comissão?

Alguma coisa há-de ser. Mas, já agora, era bom saber se o governo, o PS ou os parceiros sociais perguntaram aos membros da troika com quem se encontraram, o que significa e que consequências tem aquele relatório.

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