Nós e a troika

É confrangedora a imagem de servilismo e subserviência demonstrada pelas autoridades portuguesas perante os funcionários da troika que se deslocam a Portugal para as chamadas “avaliações” do cumprimento do programa de resgate.

Ver ministros, deputados (da maioria) falando com todas as cautelas, com medo (é essa a palavra) de criticarem a troika, criticando quem se atreve a contrariar os ditames dos “avaliadores” é humilhante para qualquer português.

Perante tal servilismo os funcionários da troika  aproveitam para se fazerem “caros” e nem se dignam responder aos seus interlocutores, segundo as declarações das diversas delegações.

Estamos a ser “avaliados” e nesta palavra cabe todo um “programa”. E o “programa” é um programa de “resgate” (como o vice-primeiro ministro gosta tanto de dizer).

Quem é avaliado tem, naturalmente, um avaliador. O avaliador é em geral alguém que possui algum grau de superioridade hierárquica ou de outra natureza em relação ao avaliado. É o caso do chefe que avalia o subordinado, do professor que avalia o aluno, etc..

O apoio financeiro da troika não justifica a subserviência com que  as autoridades portuguesas se comportam perante os funcionários que a representam, como se o governo português e o País fossem uma espécie de  escriturário  e a troika o chefe de repartição.

Estes funcionários chegam a Portugal, recebidos com câmaras de televisão e seguranças a barrarem-lhes o caminho, como se fossem o imperador do Japão ou a rainha de Inglaterra. Reúnem com ministros e com o líder da oposição  de igual para igual.

Esses senhores são o quê nas suas instituições? Talvez directores ou, vá lá, equiparados a secretários de estado. Então, reúnam com os seus pares em Portugal. Técnicos com técnicos. Decisores políticos com decisores políticos.

Precisamos do dinheiro da troika, é verdade. Mas a troika também precisa de nos emprestar dinheiro e ganha muito com isso. Ganha mesmo mais com o que nos empresta do que  nós com o que nos é emprestado.

E ainda temos medo de falar e de negociar, não vão os funcionários da troika parar com a “mesada”. De tanto se curvar perante a troika o governo português vai acabar com o nariz no chão.

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6 respostas a Nós e a troika

  1. Pingback: Não foi só beliscão. A troika fez feridas que ainda sangram | VAI E VEM

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  3. manuel azevedo diz:

    estou de acordo com o zeca.o Pm, disse que o seu programa ia para alem da troika.para o conseguir só há um caminho: não cumprir nenhuma meta! e nós nativos o que fazemos? nada!

  4. antonio cristovao diz:

    Eu destacaria um outro ponto de vista que verdade me envergonha: Ter que ser uma delegação estranjeira a forçar e fiscalizar que muitas reformas, muitas empresas cancro, muitas aberrações já muitas vezes apontadas se comecem a fazer com a falta de eficencia que se tem notado. isso envergonha sem duvida porque estes mesmos portugueses quando governados pelos “miseros directores” tem rendimentos excelentes. Julgo que a falta de avaliação permanente e até a sua recusa tem custos agravados para nós e como mostram os 240 mil milhoes que já recebemos de Bruxelas estando como estamos – falidos mostram que precisamos de experiemntar outra caminho.

  5. zeca diz:

    Não é servilismo ! É companheirismo. É ajeitanço ideológico. É partilha do mesmo amor pela causa.

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