Condenados à bagunça

O Presidente Cavaco já deve estar arrependido de não ter marcado eleições legislativas antecipadas na altura da demissão irrevogável de Portas. Podiam ser  já neste domingo com as autárquicas. Clarificava de vez a situação e talvez o PS de Seguro estivesse agora como a CDU de Merkel, a pensar com quem iria coligar-se.

Mas o Presidente quis prolongar a agonia do País e quando passarem as autárquicas e a troika se for embora deixando atrás de si o compromisso de Passos e Portas de esmifrarem ainda mais este pobre povo, o governo continuará a chantagear os portugueses e o Tribunal Constitucional com a ameaça do segundo resgate.

E quando chegar a decisão do Tribunal Constitucional sobre os pensionistas e os funcionários públicos, seja ela qual for, tudo continuará a ser cada vez pior, se é que isso é possível.

Assistimos nestes últimos dias a vários espectáculos qual deles o mais deprimente. Já não bastava a saga das autárquicas transformadas em despique verbal permanente entre os dirigentes partidários – todos contra o governo, o governo contra o PS, o PCP e o Bloco contra o PS, o PS contra o governo…. Dos candidatos reais sabemos pouco, excepto  daqueles que vemos em tempos “normais” nas televisões. Dos outros vemos apenas programas de humor e uma página no Facebook que os ridiculariza, mostrando cartazes hilariantes.

Enquanto os líderes partidários andam na estrada esforçando-se por encontrar a frase que as televisões escolherão como o soundbite do dia, Passos  envia recados para todos os lados, procurando lavar as mãos como Pilatos sobre o que aí vem: a  Portas culpa-o do segundo resgate e da subida dos juros. A Seguro e ao PS, atribui-lhes todas as desgraça do País; ao Tribunal Constitucional diz-lhe que ou deixa passar tudo ou é com Portas responsável pelo segundo resgate.

Mas o mais humilhante é ver e ouvir todos os dias sábios que vêm de fora e falam de nós e  do País como se fossem os nossos donos. Dizem-nos sobre o que podemos falar e não falar, dizem-nos até como  devemos votar se queremos evitar segundo resgate. Hoje foi o economista-chefe da OCDE a avisar-nos de que “não é tempo de complacência”.

Vai ser assim até 2015 porque o Presidente não quis tornar irrevogável a demissão de Portas e deixa o primeiro-ministro continuar a pôr o país de pantanas. Diz que vai novamente pedir ao partidos que se entendam. Quer entalar Seguro, já se vê. Quer ganhar tempo fingindo que é possível juntar o PS num acordo sem eleições.

A bagunça vai, pois, continuar até 2015.

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2 respostas a Condenados à bagunça

  1. ... diz:

    Designá-lo a abrir a peça por Presidente Cavaco é uma indignidade; deveria ter sido designado por presidente filho da puta oriundo de boliqueim, o qual, infelizmente, é presidente deste jardim à beira mal plantado..

  2. B.P. diz:

    Presidente Cavaco? Não conheço. Preside a quê?

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