Um olhar sobre estas autárquicas

partidosEstá quase tudo dito sobre as eleições deste domingo. Quem perdeu, quem ganhou, quem assim assim, quem nem por isso, quem nem uma coisa nem outra. Houve até um candidato-sombra que a partir da prisão onde se encontra levou à vitória a sua marioneta.

Os “independentes” foram o “must” destas eleições. Há análises para todos os gostos sobre o significado da vitória dos dissidentes de partidos que só se tornaram “independentes” porque os partidos recusaram apoiá-los. Mas ousaram rebelar-se e ganharam.

O caso de um independente sem aspas que merece destaque é sem dúvida Rui Moreira. Dotado de alguma notoriedade, em parte conseguida através da presença regular em programas televisivos, Rui Moreira teve o mérito de saber congregar à sua volta o apoio de personalidades com prestígio na cidade do Porto e no País, umas independentes outras ligadas ao PSD  que a chegada ao poder de Passos Coelho afastou do partido. Também o CDS se juntou à sua candidatura, assumindo esse apoio após a vitória. Foi notável como Rui Moreira e a equipa que o ajudou conseguiram derrotar Meneses, e foi também notável que o candidato do PS, o simpático Manuel Pizarro, tenha obtido o segundo lugar.

Ouvindo Rui Moreira no discurso da vitória, ocorreu-me, porém, que  se ele tivesse sido exposto ao “fogo mediático” dos debates televisivos, cuja ausência era dada como penalizadora para os candidatos independentes, talvez não tivesse tido o mesmo sucesso. Tem agora pela frente o desafio de provar que é capaz de governar a cidade sem o apoio da equipa que o levou à vitória.

Há ainda outra leitura destas eleições que carece de prova. Diz-se que a vitória dos independentes revela que os cidadãos não aceitam mais as lógicas partidárias que imperam na escolha dos candidatos e que ela  é um sinal de que os partidos ou mudam ou “não percebem nada disto” (como disse Rui Moreira).

Ora, a indiscutível vitória do PCP desmente esta interpretação. De facto, se há partido cujas lógicas permanecem imutáveis é o PCP. E no entanto ele não só resistiu como cresceu, como se viu nos resultados que obteve.

A queda do Bloco é um mau sinal para a construção de uma alternativa à actual maioria. E, contudo, essa queda adivinhava-se como inevitável. Uma liderança bicéfala não está na tradição portuguesa.

Finalmente, o PS. Sem dúvida o vencedor. António José Seguro foi incansável no apoio aos candidatos socialistas. Passou na sua primeira “prova de fogo” eleitoral. O PS precisa agora de ser mais concreto no que quer para o País. Sobretudo como vai realizar as suas propostas. Não lhe basta dizer o que não quer. Tem de ir mais longe, sector a sector, contas na mesa, números no quadro, e precisa de ter a seu lado os melhores. Tem de trabalhar nisso antes de pedir eleições antecipadas. Elas virão mais depressa do que se pensa.

Não creio que a “febre” dos comentadores que tentam empurrar António Costa para a liderança do partido represente uma ameaça à liderança de Seguro. Costa tem todo o tempo do mundo e Lisboa é um palco privilegiado para consolidar a sua imagem de um político sólido e carismático. Porque quando chegar a sua vez não é um Passos que vai estar do outro lado. Talvez um Rio… Para o PSD, outro Passos na liderança sucedendo a este Passos seria desgraça a mais…

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2 respostas a Um olhar sobre estas autárquicas

  1. Sim um Rio que mostra mais o destaque que F Soares aqui faz e muito bem que há já uma “clientela” potencial para as proposta bem fundamentadas e seriedade e rigor na governação. Não a boa onda aventureira do bloco, mas gente séria que não pretenda susbstituir os “grandes” para fazer como eles (basta ver como perderam a unica camara e olhar para as grandes promessas e fracas realizações que aí levaram)

  2. F Soares diz:

    Curiosidade no total do país

    Votos BRANCOS 193334
    Votos NULOS 147124

    Votos no BE 120914

    Fonte
    http://www.autarquicas2013.mj.pt/

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