Um governo de cócoras

20131004_DiarioNoticias MacheteTriste sina ter um governo de cócoras. De cócoras perante a troika; de cócoras perante as agências de rating; de cócoras perante Angola.

O episódio do ministro dos Negócios Estrangeiros relatado hoje pelo Diário de Notícias e o silêncio do primeiro-ministro em responder à deputada do BE, Catarina Martins, quando esta o confrontou com o caso, no Parlamento, revelam um governo que  desconhece o seu lugar no relacionamento com Angola.

Talvez devido a algum mal resolvido complexo de culpa dos tempos colonialistas, o ministro Rui Machete prestou-se a dar conta ao ministro angolano  sobre o andamento de processos judiciais abrangendo empresários  angolanos. Não contente com a intromissão na esfera judicial ainda pediu desculpa a Angola.

Sujeitou-se à vergonha de ser desmentido em comunicado pela Procuradoria-Geral da República que lhe lembrou que em Portugal “vigora o princípio da separação entre os poderes legislativo, executivo e judicial, estando constitucionalmente consagrada a independência dos tribunais e a autonomia do Ministério Público”.

Era audível a surpresa e indignação da procuradora-geral, Joana Marques Vidal, quando foi confrontada pelos jornalistas com as declarações do ministro citando-a como fonte e respondeu que  “nunca proferiu qualquer comentário sobre o conteúdo daqueles processos, nem teceu considerações com ninguém sobre quaisquer processos sujeitos ao regime do segredo de justiça”.

O ministro não só revela completa inaptidão para as funções de ministro dos negócios estrangeiros como desconhece valores básicos da democracia, como seja a separação de poderes. Pelo historial que apresenta ao fim de tão pouco tempo de desempenho no cargo (caso da carta que enviou ao Parlamento com declarações falsas sobre as suas ligaçõesa SLN/BPN), deveria ser de imediato demitido.

 

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2 respostas a Um governo de cócoras

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