O assomo ético do PGR de Angola

DiarioNoticias procurador de AngolaO PGR de Angola  pretendeu  talvez dar uma bofetada de luva branca ao Ministério Público (MP) português e a Portugal, ao revelar que empresários portugueses estão a ser investigados em Angola por suspeita de branqueamento de capitais”. Num assomo “ético”, o PGR de Angola recusou identificar os nomes dos suspeitos “para não pagar na mesma moeda”, que é como quem diz que em Angola não é como em Portugal: não há fugas ao segredo de justiça.

O PGR de Angola tem razão quando acusa o Ministério Público português de não proteger suficientemente os processos em segredo de justiça e de irem parar aos jornais os nomes de pessoas que estão  a ser investigadas, independentemente da qualidade em que o sejam. Mas a sua razão acaba aí.

De facto, ao dizer à imprensa do seu país  que empresários portugueses estão a ser investigados sem os identificar, faz ainda pior do que o MP português quando identifica os angolanos que estão a ser investigados. É que sem se  conhecerem os nomes, a suspeita passa a abranger todos os empresários portugueses em Angola.

E há outro aspecto  da maior relevância que o PGR de Angola e o Presidente dos Santos parecem ignorar: é que, apesar da inqualificável atitude do ministro Machete, em Portugal o governo não  manda no MP. Por isso, se as autoridades angolanas querem exercer represálias contra Portugal por causa das investigações judiciais a figuras angolanas arranjem outras “armas” que não as ameaças políticas de acabar com “parcerias estratégicas”. Ponham em tribunal  o MP e os jornais que fazem ou publicam os nomes dos seus dirigentes que se encontram em segredo de justiça. Tratem o assunto no terreno onde ele  deve ser tratado.

É que com esse tipo de ameaças políticas as autoridades angolanas revelam que têm ainda um caminho assaz longo a percorrer para a democracia.

Mas há uma coisa que também deve ser dita: não faz sentido que responsáveis de órgãos de comunicação social portugueses escrevam artigos de opinião contra as violações do segredo de justiça (que são em Portugal uma coisa banal) e ao mesmo tempo acolham os resultados dessas violações nas páginas dos seus jornais.

E, já agora, para serem coerentes não deviam deixar sem resposta o que o Jornal de Angola escreveu sobre o “concubinato” entre jornalistas e magistrados judiciais.

Há nesta matéria muita hipocrisia!

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3 respostas a O assomo ético do PGR de Angola

  1. Miguel diz:

    É Diogo o seu presidente não é capataz de potências estrangeiras, por isso que transportam prisioneiros sem culpa formada pelo território do mesmo e, segundo funcionários da agências de informação dessas potências, os telefones de ACS e de PPC só não estarão em escuta permanente porque não têm mesmo interesse nenhum. Divirta-se naquele seu mundo imaginário onde julga viver num país soberano.

  2. Dri diz:

    regra geral assuntos relacionados com politica, seja pelas pessoas envolvidas seja pelos assuntos tratados, são sempre banhados de muita hipocrisia!

  3. Diogo diz:

    É-me um bocado indiferente o que fazem procuradores gerais de países cujos presidentes são notoriamente capatazes de potências estrangeiras. Quanto aos nossos (PGRs), há muita gente a dizer que em vez de investigarem, travam as investigações. Será por isso que não há um corrupto preso neste país.

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