A sexualidade como notícia

Identificar um indivíduo pela cor da pele, raça, credo, ou orientação sexual é algo que à luz das boas práticas jornalísticas  se justifica apenas quando qualquer dessas qualidades é determinante para o acontecimento que se pretende relatar.

Finantial Times publicou a “lista dos 50 líderes gay de negócios e empresas que se assumiram publicamente e se afirmaram como modelos”, notícia que o Público também publica. O português António Simões, presidente do HSBC no Reino Unido, o maior banco europeu e um dos maiores mundiais, ficou no primeiro lugar da lista dos 50 líderes gay”.

Segundo a notícia “As nomeações foram feitas através de uma campanha nas redes sociais” e “as escolhas seguiram cinco critérios: liderança (posição e influência), ser um modelo de inspiração (aberto sobre a sua sexualidade dentro ou fora do trabalho), contribuição para a causa LGBT (lésbica, gay, bissexual e transgénero), ter sucesso e marcar a diferença desafiando os estereótipos.”

Os critérios para a atribuição do primeiro lugar privilegiam pois a orientação sexual, isto é, António Simões é,  de entre os banqueiros gay, o melhor. Qual é  neste caso o valor-notícia da orientação sexual de António Simões? Será melhor banqueiro por ser gay? Ou será que serve melhor a causa gay por ser banqueiro?

Não será a sexualidade de uma pessoa questão do seu foro privado? Porquê exibi-la e premiá-la qualquer que  seja a sua orientação? Respeitar a sexualidade de cada um é encará-la com naturalidade e não fazer rankings de indivíduos organizados segundo a orientação sexual. Precisamente o contrário do que fizeram o Finantial Times e a LGBT.

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2 respostas a A sexualidade como notícia

  1. ac diz:

    concordo. mas daqui a um tempo. para já, para se lutar pela igualdade, terá de haver exposição. a verdade é q os homossexuais no armário não fazem nada para serem aceites. sou mulher, não o posso esconder e tenho de me sujeitar, ainda, à descriminação existente. assim como todos os sujeitos a racismo. um homem homossexual pode chegar a cargos bem mais altos, nas calmas, do que qualquer mulher, se se mantiver no armário. Mr. Milk explicou-o bem. assumam-se e um dia será necessário a exposição pública.

  2. David Caldeira diz:

    Concordo com a sua opinião.
    No entanto, segundo me parece, neste caso, as pessoas incluidas no ranking quiseram participar do mesmo, para dessa forma “ajudar” aqueles que cuja vida pode sofrer algum “prejuízo”, em razão da sua orientação sexual.

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