Voyeurismo à solta

Carrilho e Bárbara DiarioNoticiasCarrilho e Bárbara_CorreioManha

Carrilho e Bárbara JornalNoticiasCarrilho e BárbaraJornal_iDe entre os diários generalistas  apenas o Público não deu destaque de capa (nem notícias) às desavenças matrimoniais de Manuel Maria Carrilho e Bárbara Guimarães.

No que se refere às televisões, SIC e TVI seguiram o caso mas a RTP não o fez até ao momento.

Podemos perguntar-nos porque é que este caso mobilizou a quase totalidade dos jornais? Será um assunto de interesse público? Obviamente não é  e  talvez por isso o Público e a RTP o ignoraram.

Qual é então o valor-notícia que comporta?

Em primeiro lugar, o facto de ter como protagonistas duas figuras públicas, uma da televisão outra da política e da cultura.

Em segundo lugar, pela dimensão de escândalo que comporta. Não pelo divórcio em si, embora como vimos recentemente com a separação de Judite de Sousa e Fernando Seara o fim do casamento entre figuras da televisão e da política seja por si só motivo de notícia e de voyeurismo.

O que neste caso provoca maior sensacionalismo é o insólito que o caracteriza: um ex-ministro, académico e intelectual de nomeada, ser acusado de violência doméstica e de cenas de pancadaria à porta de sua casa onde a mulher não o deixa entrar, não é um facto corrente. E quando esse ex-ministro vem a público acusar a mulher de alcoolismo e auto-flagelação e se deixa filmar e entrevistar na rua, de madrugada, depois de horas à porta da mulher e se queixa de não poder ver os filhos, então o caso torna-se  grotesco.

Os divórcios e casamentos entre figuras públicas são temas privilegiados pelas chamadas revistas “cor-de-rosa” ou de “sociedade” mas invadem cada vez mais  a imprensa dita “séria” e mesmo “de referência”. Poderia até, neste e noutros casos, justificar-se o seu tratamento jornalístico. Porém, o que se leu e viu foram relatos e imagens de puro voyeurismo para satisfazer  curiosidades mórbidas Os jornais e as televisões que o noticiaram não ultrapassaram a sua dimensão de puro sensacionalismo. Nem uma reflexão sobre outra das várias dimensões que ele também comporta.

O Público e a RTP resistiram. Fizeram bem.

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Esta entrada foi publicada em Comunicação e Política, Jornalismo, Sociedade, Sociologia dos Média. ligação permanente.

2 respostas a Voyeurismo à solta

  1. celeste martins diz:

    O caracter do “filosofo” deu um ar da sua graça quando, num debate televisivo com Rui Rio se negou, ostensivamente, a cumprimentar o adversário, recusando a mão estendida. Ai fiquei, como muitos,, estupefacta e revoltada com tamanha deselegância e má educação!!!! Era um dos indícios….agora não surpreende a novela trágica em curso…
    Como é possível ser tão trauliteiro, para não dizer cruel e mesquinho,!!!!.Quanto ao resto…só para jornais e revistas sensacionalistas ou televisões que não têm senão “voyeurismos” como às de trunfo nas suas emissões… Isto é demasiado terrível para ser protagonizado por um homem em evidente decadência comportamental e moral e que diz ser “filosofo”….!!! O verniz estalou e está à vista o resto……..!!!!

  2. Vicente Silva diz:

    A propósito de Bárbara e Carrilho,assisti hoje a uma cena que me deixou,como se costuma dizer,de cara à banda.Como é meu hábito,dirigi-me de manhã à papelaria onde compro o meu jornal diário sendo surpreendido,já no interior, por duas senhoras engalfinhadas uma com a outra pela posse de uma dessas revistas de cordel que continha na capa a fotografia das já referidas personagens.Apercebi-me que a disputa se centrava entre quem tinha entrado primeiro e quem tinha deitado a mão à única revista existente.Saí sorrateiramente antes de se iniciar qualquer confronto físico já que o verbal estava ao rubro.
    Pelo caminho fui meditando até ao Café sobre o povo que somos e ao estado a que isto chegou.
    ÁMEN !!!

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