O flop das investigações ao PGR de Angola

Expresso PGR angola investigadoSoube-se hoje que a Procuradoria-Geral da República arquivou o processo administrativo relativo ao PGR de Angola e que a decisão foi tomada “há mais de um mês”. A RTP diz que o processo foi arquivado em Julho, isto é, há cerca de 3 meses.

Desta vez não houve delongas. A RTP deu a notícia e a Procuradoria Geral confirmou imediatamente. Não fez como na altura em que saíu a primeira notícia no Expresso (ver imagem da capa ao lado) em que se remeteu ao silêncio.

O Expresso tem razão para se sentir defraudado. A sua fonte devia ter-lhe dado notícia do fim do processo já que lhe deu notícia do início.

Quer isto dizer que o ministro Rui Machete quando pediu desculpa a Angola na célebre entrevista à Rádio já sabia que o processo dera em nada. Quem o informou? Espera-se que a Procuradoria-Geral da República abra um inquérito e chame o ministro para identificar a sua fonte, uma vez que ele não está obrigado ao sigilo profissional dos jornalistas.

No Prós e Contras desta segunda-feira, em que se discutiu o agravamento das relações entre Portugal e Angola por causa deste caso e em que o seu arquivamento não era ainda conhecido, Ricardo Costa, director do Expresso, disse que antes de publicar a notícia da investigação ao PGR de Angola avisou o nosso Ministério dos Negócios Estrangeiros e o gabinete do primeiro-ministro porque imaginava que iria haver reacções ao mais alto nível da parte de Angola (cito de cor) . Disse também que se um jornalista lhe aparece com uma notícia daquelas, que considera de interesse público, não podia deixar de publicar,  e que um PGR estar a ser investigado é notícia em qualquer parte do  mundo. Exemplificou com  os casos que levaram a que Sócrates, enquanto primeiro-ministro tivesse estado 6 anos a ser investigado no caso Freeport e Cova da Beira. E recordou também que sem a violação do segredo de Estado não se teria sabido das escutas feitas pelos EUA a líderes europeus.

Há aqui dois problemas: o primeiro é que o jornalista não é pombo correio. Não publica tudo o que lhe dão. O segundo é que a fonte que deu a informação ao Expresso pelos vistos precipitou-se e não viu que a suspeita não tinha “pernas para andar”. E talvez o jornalista que levou a notícia ao director não lhe tenha dito que era melhor seguir a pista e investigar por conta própria antes de publicar.

O problema das fugas de informação em que a fonte não dá a cara é este:  a responsabilidade do que se escreve é transferida  para o jornalista e para o jornal que a publicam.

Mas Ricardo Costa tem razão quando disse no Prós e Contras que nenhum jornal pode ter medo de noticiar estes casos.  Sem dúvida. E também não deve ter medo de investigar o que  aconteceu para que a Procuradoria-Geral portuguesa tenha levado três meses a informar que tinha arquivado o processo. E também porque é que a sua fonte não lhe comunicou esse desfecho.

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2 respostas a O flop das investigações ao PGR de Angola

  1. EGR diz:

    Inqualificável é única palavra que me ocorre a propósito de tudo quanto se relaciona com este assunto.

  2. zeca diz:

    A vergonha era verde, veio um burro ,e comeu-a.

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