Um guião inútil

A avaliar pelo Guião da Reforma do Estado apresentado pelo ministro Paulo Portas, os ministros deviam ser submetidos à avaliação  da Comissão de Recrutamento e Selecção para a Administração Pública (CReSAP) que certamente declararia alguns deles como inadequados para o exercício de cargos públicos.

De facto, o Guião é de uma pobreza confrangedora. Sem objectivos definidos, sem enquadramento nem definição de conceitos, sem metas concretas calendarizadas  e quantificadas, é um documento inútil. Limita-se a um enunciado de intenções, chavões, ideias soltas, algumas interessantes porém perdidas num documento desconexo.

Quem teria elaborado tal documento? A “mão” de Portas está indiscutivelmente em muitas partes do documento, nomeadamente em títulos meio jornalísticos destinados a provocar impacto, do tipo “Nem estatização nem Estado mínimo” ou “Reformar é diferente de cortar”.

O mais desconcertante é, porém, no final, o remate da lista das “fontes” utilizadas: “EUROSTAT, INE, Banco de Portugal, Ministério das Finanças – OE 2014, DEO 2013/2017, Relatório
PREMAC 2011, Ministério da economia – Estratégia para o Crescimento, Emprego e Fomento Industrial, Secretaria de Estado da Administração Local, OCDE, FMI, artigos de opinião, entre outras.” Artigos de opinião? E é assim, “entre outras”? Quais outras?

Quem quiser confirmar alguma indicação ou dado (dos poucos que existem) no documento não o pode fazer. A ausência de uma ficha técnica sugere que tudo saíu da cabeça de Paulo Portas. Custa a compreender que ministros como Poiares Maduro ou Nuno Crato, tenham deixado passar um documento tão indigente.

A não ser que a estratégia do PSD tenha querido isolar Portas e o CDS deixando-o só, com o seu guiãozinho.

Se o governo não tinha ninguém à altura de elaborar um projecto de reforma do Estado deveria ter aberto concurso para que uma universidade ou uma unidade de investigação realizasse esse trabalho.

No fundo, este Guião não é uma surpresa. O governo limita-se a fazer a única coisa que sabe: cortar no Estado Social e nos rendimentos das famílias, a que chama  “despesa”.

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5 respostas a Um guião inútil

  1. Pingback: Orelhas de burro | VAI E VEM

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  4. O joker igual a si proprio: vazio e popularucho.Haja muita fé e a vida politica vai ser longa e prospera.

  5. Victor diz:

    Parafraseando o finado Borges, diria: Este, não passava numa disciplina de TRABALHOS ACADÉMICOS: REGRAS BÁSICAS DE APRESENTAÇÃO, ORGANIZAÇÃO E REDACÇÃO.

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