Carrilho, monstro ou vítima?

Carrilho entrevista CMTVManuel Maria Carrilho deu uma entrevista “exclusiva” à CMTV, o canal de televisão do Correio da Manhã. Depois de uma semana em que se multiplicou em declarações e entrevistas a jornais, Carrilho escolheu submeter-se à prova de fogo que representa sempre uma entrevista na televisão.

Depois do que disse aos jornais sobre a ainda sua mulher, Bárbara Guimarães, e das acusações de violência doméstica que mereceram condenação quase generalizada, restava a Carrilho enfrentar essas críticas e explicar-se, se é que haveria explicação possível para tudo o que disse.  Carrilho aceitou a prova e pediu desculpa por se ter excedido e falado em público: “Há coisas que eu não teria dito se não fosse o meu estado de perturbação, com bens e roupas espalhados pelo país e guarda-costas à porta de casa. Se não dissesse nada passava a ser o monstro, não podia aceitar uma coisa destas.. .”

Monstro ou vítima, os tribunais decidirão quem tem razão. Como estratégia, o silêncio de Bárbara é mais convincente do que as declarações de Carrilho. Mas a estratégia de Carrilho de vir defender-se na televisão trouxe novas perguntas que os jornalistas não fizeram a si próprios e deviam ter feito antes de escreverem sobre o caso.

A entrevista de Carrilho trouxe à superfície  um elemento  que não deve passar em claro. Questionado pela jornalista que o entrevistou sobre as acusações da sua ex-mulher numa entrevista ao Diário de Notícias,  Carrilho disse que  há 30 anos não ouvia falar dela e que soube pelo Diário de Notícias que foi ela quem telefonou para o jornal “pedindo  dinheiro pela entrevista”.

Não duvido de que  o DN tenha rejeitado o pagamento e publicado a  entrevista sem qualquer contrapartida. Mas o facto de a entrevista ter sido publicada levanta agora interrogações sobre as condições em que foi obtida.

De facto, uma pessoa divorciada de outra há mais de 30 anos que telefona a um jornal pedindo dinheiro para contar que foi espancada pelo então marido e como vingança decidiu “pôr-lhe os palitos”, não seria para levar a sério. Para mais, tendo a iniciativa partido dela no momento em que o ex-marido é acusado  pela actual mulher de violência doméstica. Será que, como manda o código deontológico dos jornalistas,  o DN se interrogou sobre as condições psicológicas em que essa pessoa se encontrava antes de publicar as suas declarações?

Por muita simpatia ou antipatia que jornalistas e analistas nutram por um ou outro dos protagonistas deste penoso caso convém que pelo menos os primeiros não percam também eles o decoro.

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7 respostas a Carrilho, monstro ou vítima?

  1. Pingback: O top-ten do Vai e Vem em 2013 | VAI E VEM

  2. Jaime Conde diz:

    Entretanto, Cavaco, Coelho, Portas e comandita, alegres e contentes, seguem em frente. Agora, com o circo armado, quem vai reclamar pão ?! …
    Jaime Conde

  3. luisa diz:

    Quem esta no convento e que sabe o que vai la dentro.

  4. Olga Serra diz:

    Quem se justifica muito…….

  5. Vicente Silva diz:

    Mais um espectáculo triste do quotidiano de uma classe elitista envernizada.Estalado o verniz aparecem o caruncho e as mazelas para confirmar que “nem tudo é o que parece-“

  6. Manuel de Sousa Azevedo diz:

    Entre marido e mulher ninguém meta a colher, só com testemunhas e outras provas é que os tribunais poderão decidir, porque ás vezes o lobo mau pode estar bem desfarçado e com boas protéções, enquanto a avozinha pode ser comida pelo lobo mau.

  7. ignatz diz:

    o intelectual da treta já enganou mais uns papalvos com umas lágrimas ao correio da manhã. a joana varela tem dinheiro que chegue para fazer várias fábricas de carrilhões e o manel explora isso há 30 anos com o primeiro carrilhito.

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