Jornalismo de pacote

jornalistas alemães em PortugalTrinta jornalistas alemães estão desde hoje em Lisboa, a convite da Comissão Europeia. O objetivo é conhecerem um dos países sobre os quais mais se escreve quando o tema é crise financeira.

Trata-se de uma acção de relações públicas da Comissão, do género de outras praticadas por entidades oficiais, por exemplo embaixadas, em geral para criarem  uma imagem favorável dos seus países ou da instituição convidante.

Nessas visitas os jornalistas convidados realizam encontros, visitas  e entrevistas com personalidades consideradas úteis ao objectivo da visita, sendo permanentemente acompanhados por assessores. As visitas incluem geralmente uma parte social.

Raramente os jornalistas convidados têm oportunidade de conhecer outra realidade para além da que resulta das visões das entidades com quem se encontram.

Naturalmente que os jornalistas se preparam para estas visitas fazendo o “trabalho de casa”. Mas,  como escrevia há anos um jornalista norte-americano que acompanhava frequentemente os assuntos da Casa Branca e estava habituado a este género de visitas: “estes convites tornam o nosso trabalho mais leve”, “economizam o nosso tempo, sistematizam o nosso trabalho e permitem-nos planificá-lo sem incertezas”.

Os americanos chamam-lhe pack journalism, “jornalismo de pacote”, definindo-o como o sistema  em que  jornalistas de vários media  durante vários dias visitam os mesmos locais e ouvem as mesmas histórias.

O “sistema” é habitual na cobertura de campanhas eleitorais, sendo visto como provocando dependência dos jornalistas das agendas de campanha dos candidatos e dos respectivos staffs eleitorais.

Saberemos o que viram e ouviram, e com quem falaram, os visitantes quando lermos os relatos nos média alemães. Por coincidência ou não a visita decorre numa semana de greves….

 

 

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4 respostas a Jornalismo de pacote

  1. Já vi várias traduções, a ideia do “pacote” (embalagem) é mais suave que “matilha” …:-)

  2. Excelente programa, Eduardo! 🙂

  3. Eduardo diz:

    “Apesar do meu negócio ser mais bolos”, sou no entanto, danado para a brincadeira, e imagino-me, como seguidor desta nova ideologia europeia, a encomendar esta Demanda, a estes senhores.

    1º- Aprofundarem as raízes das incompatibilidades de qualquer investimento no país (legislação tributária, justiça e incapacidade politica para equilíbrios ideológicos), de forma a que se entenda, que o investimento no país, não tem qualquer interesse.

    2º- Enaltecerem as capacidades do povo (tranquilo, acolhedor e subserviente), “o melhor povo do mundo”.

    3º- Explicarem que apesar do povo se encontrar em dificuldades económicas, o custo de vida é quase uma bênção dos Deuses, em comparação com os demais países europeus.

    4º- Não esquecerem também que em respeito a cuidados de saúde, os hospitais (sem mencionarem, se são os privados ou os públicos) têm um serviço reconhecido internacionalmente.

    5º- Que o negócio imobiliário, que se encontra a passar grandes dificuldades, proporciona um excelente negócio para qualquer aquisição.

    6º- Enaltecerem a História, a paisagem, o clima (a Florida da europa), e a excelente gastronomia (evidenciando o pescado fresco, que é coisa que não existe nos principais países do Norte da Europa).

    7º- Fazerem reparo que, apesar de tudo, o país se encontra excelentemente provido de meios viários, com excelentes acessos ás grandes cidades e aeroportos, aos meios de Comunicação moderna (Internet e telefone móvel, pois se tem acesso em qualquer ponto do país), e de fácil acesso aerotransportado, para qualquer país da Europa.

    E acabava por aqui, á primeira vista, não tinha necessidade de aprofundar mais nada, a não ser fazer um vídeo das belezas naturais do país em questão e de algumas imagens da boa gastronomia existente.

    Era o suficiente, para tentar convencer os idosos desses países a reflectirem, na mudança para este Paraíso terreno, á porta de casa.
    Desta forma, ver-me-ia livre do incómodo das opiniões dos mais idosos e de suas “luxuosas” doenças, eles ficariam bem melhor servidos do que nos seus próprios países e a dois passos de seus familiares.
    Os custos de sustentabilidade deste grupo etário diminuíam substancialmente tanto no Estado como nas Seguradoras, que é o pretendido.
    Enfim, uma cópia do que já as Seguradoras Americanas, fazem com os seus utentes, convencendo-os a tratamentos nos hotéis/hospitais associados a elas, no Oriente.

  4. gm diz:

    Ola Estrela. A tradução / interpretação de “pack journalism” não seria mais propriamente algo como “jornalismo de matilha” (pack como em wolf pack). Adaptar-se-ia perfeitamente 🙂

    Melhores cumprimentos

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