O cerco ao PS

O governo, o Presidente, a direita e alguns comentadores querem forçar o PS a sentar-se à mesa com os partidos da maioria para discutirem o guião de Portas para a reforma do Estado.

Ora, como já foi dito por quase toda a gente que conta, o guião não é mais que um panfleto político, tipo programa eleitoral com ideias soltas, umas desconexas, outras demagógicas, poucas aceitáveis, não constituindo, pois, base séria para discussão do que quer que seja quanto mais da reforma do Estado.

O PS não pode aceitar discutir um documento nestas condições. Partir para uma discussão pressupõe que existem bases mínimas de entendimento sobre o que se quer discutir. Ora, O PSD e o CDS não só contrariam sistematicamente todas as propostas do PS como atacam tudo o que os governos socialistas fizeram, além de terem erigido a  Constituição e o Tribunal Constitucional como alvos a abater. Não falando já da destruição do Estado Social e de outros princípios e valores em que assentam as bases políticas e ideológicas do PS.

Além disso, como bem disse António Costa, no último programa Quadratura do Círculo, o clima entre o governo e o PS é de autêntica guerrilha verbal, potenciada pelos debates quinzenais na Assembleia da República, em que  Passos e Seguro tentam cada um conseguir levar o outro “ao tapete”.

Em 2010 e 2011 Passos não aceitou dialogar com Sócrates quando este tentava  evitar o resgate. Passos diz agora que o governo socialista de então não tinha credibilidade externa e por isso recusou o acordo. Ora, chegado ao poder (ao pote, melhor dizendo) o que fez Passos? Fechou-se no pote com Portas, desprezando Seguro (com quem até se dizia  que se dava bem). Passos não tem, pois condições para dialogar com o PS. E mesmo com o CDS é o que se sabe….cenas domésticas mais ou menos “irrevogáveis”. Da credibilidade de interna e externa de ambos nem vale a pena falar…

Vêm agora pedir ao PS que lhe dê a mão para reformarem o Estado.

Pois bem: o PS devia chamar a si a iniciativa de apresentar um conjunto de princípios sobre os quais assenta a sua ideia de reforma do Estado. E dizer quais são as suas condições para a discussão. Recusar, sem mais, está a fazer ricochete contra si próprio porque o spin do governo começa a fazer caminho

É claro que o PSD e o CDS não estão minimamente interessados em consensos com o PS. Querem, sim, salvar a pele e  levar o PS a assinar o segundo resgate para voltarem a dizer que não tiveram nada a ver com isso…

Mas o PS tem de ter uma estratégia para o cerco que o governo e o Presidente lhe estão a fazer.

 

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4 respostas a O cerco ao PS

  1. Muito obrigada, Deolindo. 🙂

  2. Vicente Silva diz:

    Partilho na íntegra a excelente análise que faz da actual situação política atribuindo-lhe a classificação máxima.Parabéns,Estrela!

  3. EGR diz:

    Mas, infelizmente, parece que não tem.

  4. arber 2013 diz:

    Não há dúvida que o PS (Seguro) está a ser alvo de um tremendo cerco, uma verdadeira chantagem, e não só no que à reforma do estado diz respeito.
    A estratégia em curso ficou mais clara nestes últimos dias e foi entretanto reforçada com a colaboração de uma personalidade que, até há pouco tempo, se distinguia por posições de distanciamento e alguma crítica às opções do governo.
    Essa pessoa é Silva Peneda, presidente do CES, que de repente passou a alinhar com a “surpresa” de Cavaco Silva sobre o facto de “os partidos” em Portugal não conseguirem entender-se…
    Claro que o recado vai direitinho ao PS e a Seguro e, juntando estas recentes declarações com uma notícia de hoje de que o PM irá ter uma reunião, inédita, no CES para debater com os parceiros sociais o OE 2014, o que poderá concluir-se?
    Claro que a estratégia é clara: conseguir o “consenso” dos parceiros sociais e isolar o PS, colocando-o numa situação insustentável.
    Para isso, Cavaco já conseguiu o apoio de Silva Peneda (enfim, lealdades cavaquistas!), mas estou certo que o novo líder da UGT não será tentado a levantar a taça da traição e manterá a fidelidade aos seus representados – trabalhadores e reformados.
    E depois, como muito bem termina o post, “…o PS tem de ter uma estratégia para o cerco que o governo e o Presidente lhe estão a fazer”.

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