Espera-se uma palavra do Presidente já que para gestos não mostra vocação

políciasTenho sentimentos contraditórios relativamente ao que se passou esta noite na manifestação das polícias frente à Assembleia da República. Por um lado, reconheço as dificuldades que afectam os profissionais dessas classes profissionais, como aliás a grande maioria dos cidadãos, mas por outro causa-me  incómodo e perplexidade ver polícias e guarda republicanos de cartazes em punho, insultando e vaiando governantes e Presidente da República.

Acresce que hoje a manifestação dos polícias foi mais longe do que tinha alguma vez ido. Hoje vimos polícias  derrubarem as grades que protegiam as escadarias da Assembleia da República e polícias à paisana empurrando polícias fardados que passivamente se deixaram empurrar permitindo aos colegas o que não permitem aos manifestantes civis, isto é, que  cheguem às portas do Parlamento. E foi visível que só não entraram porque não quiseram.

Vimos os polícias que estavam de guarda à Assembleia “protegerem” os seus colegas que invadiram a escadaria. Não houve bastonadas nem pontapés como costuma haver quando civis fazem o mesmo que os polícias fizeram. Ficou tudo em família.

Os polícias podem gritar vitória e bater palmas como fizeram quando chegaram ao cimo das escadarias da AR. Ganharam o “lance” mas perderam a face. Enfraqueceram o seu prestígio e a sua força simbólica. O Estado de direito perdeu e nós também.

Podemos dizer que esta manifestação marcou um momento em que o normal funcionamento das instituições foi posto em causa. Espera-se uma palavra do Presidente já que para gestos não mostra vocação.

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4 respostas a Espera-se uma palavra do Presidente já que para gestos não mostra vocação

  1. Helder Filipe diz:

    Olhe que não, olhe que não! Pode muito bem ter sido um aviso “para bom entendedor”, se houver…

  2. S. Bagonha diz:

    “Espera-se uma palavra do Presidente já que para gestos não mostra vocação.”
    Ahnnn…., não sei, não vi, não estava lá!

  3. Adérito Lourenço Martins diz:

    Os polícias antes de serem polícias também são civis e têm pais, irmãos, filhos, esposas e outros familiares civis que como eles sofrem as agruras do custo de vida. Os manifestantes não lançaram objectos nem arrancaram pedras da calçada para arremessarem aos seus colegas da força de segurança. Por isso não houve pontapés nem provocações.
    Também é preciso ter em conta que esta manifestação serviu para o governo ver que não pode fazer tudo o que quer porque as forças de segurança também já estão fartas e já começam a ter pouca disposição para o proteger.

  4. Joaquim Pinto diz:

    “Vimos os polícias que estavam de guarda à Assembleia “protegerem” os seus colegas que invadiram a escadaria. Não houve bastonadas nem pontapés como costuma haver quando civis fazem o mesmo que os polícias fizeram. Ficou tudo em família.”

    Exactamente. Este é o cerne da questão. Este país já era!

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