Chegaremos a saber o que se passou?

Miguel Macedo políciasA comunicação do ministro Miguel Macedo, proferida 24 horas depois de os polícias terem invadido a escadaria da Assembleia da República perante a passividade de outros polícias de serviço na dita escadaria, não tem muito sentido.

Em primeiro lugar, o ministro não disse nada de novo. Quando falou já o director nacional da polícia tinha “posto o lugar à disposição”, o Presidente também já tinha falado (sem dizer nada) e o primeiro-ministro tinha dito sobre o caso uma frase meio enigmática enquanto saía de um evento na reitoria da Universidade Nova de Lisboa: “O Sr. ministro da Administração Interna, tenho a certeza, falará hoje convosco”, afirmou Pedro Passos Coelho aos jornalistas.

O que seria que o PM quis dizer com a expressão “tenho a certeza”? Só pode ter querido dizer que não tinha a certeza de que o ministro falaria aos portugueses, o que, levado mais longe, pode significar que o ministro não queria falar… talvez tenha mesmo querido demitir-se (teria sido honroso para ele…) e o PM fez aquela declaração para o “obrigar” a falar.

E o ministro falou. Mais de 24 horas depois dos acontecimentos. Para dizer o quê? Que logo de  manhã chamou ao seu gabinete o director nacional da polícia e lhe disse que tinham que ser tiradas consequências dos acontecimentos  da véspera e que o director imediatamente pôs o lugar à disposição, o que foi aceite. Isto é, o ministro veio dizer que demitiu o director nacional da polícia que à hora a que falou já estava demitido e até já se sabia quem era o sucessor. Porque esperou 24 horas para dizer isto?

Portanto,  o mais lógico é o ministro ter querido demitir-se e Passos ter-lhe pedido para ficar e para falar.

Mas eis que para baralhar os dados Constança Cunha e Sá afirmou na TVI que ontem mesmo o ministro telefonou ao director demitido “para lhe dar os parabéns” pela manifestação pacífica dos polícias. Mas depois, de manhã, demitiu-o.

Alguém percebe alguma coisa? Chegaremos a saber  o que se passou?

 

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6 respostas a Chegaremos a saber o que se passou?

  1. Pingback: Isto foi tudo muito grave…isto o quê? | VAI E VEM

  2. arber diz:

    É verdade que talvez nunca se venha a saber o que realmente aconteceu.
    Mas há umas coisas que não fazem mesmo sentido:
    Afinal o director nacional foi demitido porque os polícias/manifestantes invadiram a escadaria, ou porque os polícias de guarda ao parlamento não impediram tal acção?
    Mas, se a razão foi a primeira, deveriam ter sido demitidos os sete directores das várias forças policiais participantes da manifestação(PSP, GNR, PJ, ASAE, Polícia Marítima, SEF, Polícia Municipal) e não só aquele!
    E se a razão foi a segunda, fará sentido “promover” o responsável pelo fracasso da missão?
    Por isso, acredito que o ministro terá querido demitir-se porque, sendo ele o autor da ordem para não resistir aos manifestantes (para evitar um banho de sangue), não aceitou as críticas depois dirigidas à polícia. A pedido e insistência do PM aceitou manter-se no lugar, mas não deixou de lançar um recado, premiando o comandante da força de intervenção.
    O até então director nacional aceitou ser sacrificado e um dia será recompensado.

  3. Bmonteiro diz:

    Fuga para a frente, nem mais.
    Um sintoma perigoso. Com o nosso Premier a querer mostrar que ‘manda’.
    Ora tal, nada mais é do que o exercício de uma fraca capacidade de “liderança”.
    Quanto ao que acaba de fazer com a PSP, talvez em breve se arrependa.

  4. Logo a seguir ao ministro falar, ouvi na TV (não tenho a certeza, mas creio que a um dirigente de um Sindicato das polícias) que logo a seguir à manif. ter terminado o Ministro tinha telefonado ao Dir Geral a dar-lhe os parabéns pela forma ordeira como tinha corrido a manif., depois inopinadamente chamou-o ao Ministério para o despedir. Aliás o Ministro estava muito nervoso a fazer a comunicação. Portanto algo se deve ter passado e a origem estará certamente nos Assessores do PM. que o terão aconselhado a “ser duro”.

  5. Saber não,mas que os policias se portaram bem isso acho que sim,portanto o seu chefe merecia os parabens. Claro que na interpretação dos politicos talvez precisem dum bobo para distrair a populaça.calhou ao chefe que mantendo-se a tradição logo logo vai haver um tacho compativel.

  6. afonsoneves diz:

    Aqui vai uma interpretação da noite de ontem que até agora não ouvi, e se alguém a teve peço desculpa por copiá-la.
    O governo e os partidos do governo tentam esconder o que realmente aconteceu, fazendo a normal fuga para a frente, tendo a demissão do Director da PSP dado mais força a esta interpretação.
    O Governo tinha em mente que a “Polícia de Choque” estaria na Assembleia para os proteger e que os mesmos seriam o garante da segurança do país, mas ao verem o que se passou com o avanço das restantes forças de segurança e não tendo estes feito nada, o governo chega à conclusão que a aquilo que era uma segurança e uma garantia, afinal saiu gorado. E porquê? porque as pessoas que ali estão, também estão fartos de cortes, fartos de mentiras ao fim ao cabo fartos de isto tudo, decerto que os polícias de choque também davam tudo por estar a subir as escadarias e se fosse preciso para pôr o governo na rua.
    Isto foi apenas uma chamada de atenção ao governo daquilo que poderá acontecer se a situação se manter.

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