Ser “dono” de um grupo de media em Portugal pode ser a “jóia da coroa” para um empresário angolano

Diário de Notícias  JN

TSF

Podemos perguntar o que leva um empresário estrangeiro a investir num grupo de média em Portugal. A pergunta faz sentido no momento em que é anunciado  que o empresário angolano António Mosquito vai ficar  com 27,5% do capital da Controlinveste, uma participação igual à de Joaquim Oliveira, até agora presidente do grupo. O grupo é  proprietário de títulos como o “Diário de Notícias”, “Jornal de Notícias”, “O Jogo” e “Dinheiro Vivo”, além da rádio TSF.

Antes de  responder a esta pergunta  importa formular outra: Quem é António Mosquito? Mais precisamente, que outros negócios e interesses possui ?

Segundo o Jornal de Negócios, António Mosquito tem negócios ligados aos sectores do automóvel, construção civil e petróleos. Em Portugal controla 66,7% da Soares da Costa.

Como dado de contexto importa referir que alguns países, como o Brasil, não permitem a entrada de capitais estrangeiros nos meios de comunicação. Escusado será explicar porquê. Em Portugal isso é permitido pelo que legalmente nada há a opor à entrada de um acionista angolano nos média portugueses. As entidades reguladoras – ERC e AdC  – terão ainda, nas suas esferas de competência, uma palavra a dizer.

O grupo Controlinveste  encontra-se, como aliás todo o sector dos media em Portugal, em sérias dificuldades financeiras pelo que a presente operação de reestruturação do grupo pode significar a salvação, pelo menos no médio prazo, de importantes títulos como o DN, o JN e a TSF.

Mas o que ganha então um empresário em investir num grupo falido e num sector em crise, cujo fim não se vislumbra?

Pois bem, ganha poder e influência. Não sendo o accionista  maioritário do grupo  é contudo aquele que, de facto, detém o dinheiro “na mão”. Ora, deter dois jornais e uma rádio com penetração nos círculos do poder político e do poder económico é um negócio que, em Portugal, vale a pena. Somos um país pequeno e pobre, em que o poder político e o poder económico se cruzam em cada negócio.

A capacidade de influenciar negócios através dos média não é novidade em Portugal. O poder de publicar e de não publicar ainda é um poder real. Tratando-se de um empresário angolano os protagonistas com interesses cá e lá são imensos e poderosos, a avaliar por acontecimentos recentes. Ser “dono” de um grupo de media em Portugal pode ser a “jóia da coroa” para um empresário angolano.

Mesmo contando com redacções “não submissas” as probabilidades de o negócio ser mais do que simplesmente um negócio são, pois, elevadas.

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4 respostas a Ser “dono” de um grupo de media em Portugal pode ser a “jóia da coroa” para um empresário angolano

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  2. vale a pena pensar nos dramas que se passam nos meios impressos pelos EUA e UE com os media a fechar ou reduzir drasticamente os colaboradores. Será que estes interesses paralelos não estão a adiar os dramas na Controleinveste? Direito por linhas tortas?

  3. S. Bagonha diz:

    Como dizia o outro, caro Sr. Serra, isto anda tudo ligado.

  4. Carlos Serra diz:

    Fiquei agora a saber que o novo accionista (salvador?) da Controlinveste, é importador da Volkswagen em Luanda.

    Agora já compreendo porque não publicou o DN a minha “carta ao director”, em que denunciava o facto de, necessitando o meu Volkswagen Touran (que deu entrada na oficina para reparação em 11 de Setembro, último) de um “veio secundário” para a caixa de velocidades, a Volkswagen não a ter disponível, nem em Portugal, nem, segundo a informação que recebi, na Alemanha.

    Ainda de acordo com a mesma informação a referida peça apenas seria fabricada na semana de 21 a 25 de Outubro.

    O carro foi-me entregue,reparado, em 4 de Novembro.

    Talvez não quisessem indispor o novo patrão. Ou talvez eu esteja a ver mal a “coisa”, e tivessem apenas receio de que a SIVA deixasse de anunciar no jornal.

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