O dscurso da hipocrisia

Passos e os jovensNuma cerimónia de entrega de prémios do Instituto de Juventude e Desporto a associações juvenis, Passos Coelho lamentou que os jovens tenham de sair do País para se realizarem profissionalmente. Disse o primeiro-ministro:

Por isso nos dói tanto que, entre aqueles que hoje são mais desenvolvidos e evoluídos do ponto de vista do conhecimento que adquiriram em termos académicos, muitos deles tenham de escolher outras paragens para poderem aceder ou aos seus estágios ou à sua realização profissional”.

Este discurso é de uma enorme hipocrisia e faz dos portugueses tolos. Os portugueses não esqueceram os “conselhos” do primeiro-ministro e de membros do seu governo aos jovens e aos professores para que deixem a sua “zona de conforto” e emigrem.

O discurso político não tem necessariamente de ser demagógico nem os políticos  têm  de ser “troca-tintas” e dizerem uma coisa hoje outra amanhã. Passos Coelho personifica como nenhum outro esse tipo de discurso. Na verdade,  não só foi eleito na base de promessas que nunca cumpriu, como mentiu despudoradamente sobre factos e momentos históricos da vida do País, como ter dito que não foi informado por Sócrates sobre o PEC IV e depois ter-se vindo a saber que o foi, ou negar que foi contactado por Sócrates em 2009 para a formação de um governo de coligação, tendo os mediadores desse contacto (membros do seu próprio partido)  confirmado a sua realização.

Como outros cidadãos, os políticos erram ou faltam algumas vezes à verdade. Mas quando os erros são sistematicamente escondidos ou negados e as mentiras se tornam o modo de ser e de agir de um governo (vidé também o caso das contradições e mentiras da ministra das Finanças no caso dos swaps) estamos perante uma democracia doente e em risco de sucumbir.

O discurso da “dor” feito hoje pelo primeiro-ministro no Instituto da Juventude e Desporto revela  que ele perdeu a noção do ridículo e não tem respeito pela memória e inteligência dos portugueses. Esquecer assim, de maneira quase  natural, o que dizia ainda há bem pouco tempo é descaramento a mais. Ou então o primeiro-ministro já perdeu o contacto com a realidade e só pode precisar de ajuda para se ir embora.

 

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5 respostas a O dscurso da hipocrisia

  1. F Soares diz:

    Concordo 100%.Quando ouvi o dito cujo na TV, quase que vomitei…. Já não tem qualquer réstia de pudor…

  2. Maria Lopes diz:

    Indique-me um político português que não tenha mentido descaradamente ao povo português.
    Indique-me um político português e seu séquito de seguidores que não tenha mentido ao povo português.
    Por vezes, perco tempo a ver documentários sobre a II GG e vejo a quantidade de gente que afirma com a maior desfaçatez que desconhecia o que se passava.
    Por vezes, perco tempo a ver programas/debates com ex’s e atuais governantes e acredito piamente estar a ver os meus avós a passarem o que passaram na Alemanha daqueles tempos.
    São todos inocentes e nunca fizeram nada de mal. O que me deixa com medo nem são eles. São o séquito. Esses são sempre mais perigosos.
    Por isso indiquem-me um político português que nunca tenha mentido.
    A hipocrisia faz parte da sociedade.
    MS

  3. Antónimo diz:

    O PEC IV é essa cena que prevê a privatização dos CTT, não é?

    E passar à frente com a conversa do PEC IV? PPC precisa de cair e por esse argumento ou pelo argumento Cavaco nem vale a pena pegar ou já há muito teria ido.

    Ligar Cavaco e o insucesso de PPC e PP faria mais que essa conversa. O tipo adora-se e é bem capaz de ainda acreditar que a sua imagem histórica pode ser salva.

  4. EGR diz:

    Por vezes tenho a impressão que Passos Coelho já não atina bem com o que diz.
    O grave é que somos nós a sofrer as consequências.

  5. arber diz:

    Do post:
    “… mentiu despudoradamente sobre factos e momentos históricos da vida do País, como ter dito que não foi informado por Sócrates sobre o PEC IV e depois ter-se vindo a saber que o foi,…”

    De “Roteiros VI, Prefácio, Aníbal Cavaco Silva, março 2012”
    “…
    A 11 de Março de 2011, o Governo divulgou ao País um amplo conjunto de medidas de austeridade … o chamado “PEC IV”,..
    O anúncio inesperado deste programa suscitou de imediato uma reação negativa de todos os partidos da oposição, que criticaram quer o seu conteúdo, quer a forma como o mesmo fora apresentado à União Europeia, sem previamente ser comunicado às diversas forças políticas….”

    Salienta-se esta parte final, “sem previamente ser comunicado às diversas forças políticas”.

    Nunca ouvi Cavaco Silva acusar Passos Coelho de falta de lealdade por não lhe ter comunicado ter tido conhecimento prévio do PEC IV.
    E por causa de uma miserável mentira, foi Sócrates quem viu manchada a sua honra pessoal e institucional.

    Mas, ou muito me engano, ou a história do PEC IV ainda não está completa e um dia serão reveladas coisas muito interessantes.

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