O estado do Estado

Entrevista a Maria José MorgadoA entrevista de Maria José Morgado à Antena 1 e ao Diário Económico mostra bem o estado a que o Estado chegou. Neste caso é o estado da Justiça, em particular do Ministério Público, mas a situação estende-se a outros sectores e não apenas na administração pública.

Disse a directora do DIAP: “Não temos no Ministério Público uma base de dados, um sistema informático digno desse nome. Não temos assessorias técnicas, nem informáticas, nem de outros conhecimentos necessários para acompanhar a investigação criminal. Temos a nossa própria vontade e o orgulho profissional”.

Sobre a corrupção, afirmou a directora-geral adjunta: “Não há recolha, análise e tratamento de dados de fenómenos ligados à corrupção (…),  temos uma estatística meramente quantitativa (…),  não há estudos, cada um faz o discurso que entende mais importante ao nível da corrupção, quanto mais inflamado melhor“.

Podia continuar a citar a directora do DIAP mas estes excertos dão para confirmar o que empiricamente verificamos no nosso dia a dia: em Portugal existe uma incapacidade de organização que está em grande parte na raiz do nosso atraso. Isso deve-se muito à falta de preparação das elites políticas, económicas e outras, no sector público e também no privado. Neste último, o nível escolar e a formação profissional de grande número de gestores era  há uns anos (e é ainda) baixíssimo. Grande número de empresas são mal geridas porque os gestores não têm preparação para dirigirem empresas. E aquelas que vão tendo algum sucesso, têm à sua frente ou antigos governantes que sabem mexer “cordelinhos” ou  gestores que aprenderam a estar bem com todos os governos, fazendo-lhes alguns fretes para poderem depois servir-se deles.

No campo político, a actual elite é bem um exemplo da impreparação a todos os níveis: político, cultural, organizacional. Sem cultura política, sem “berço”, formados nas fileiras partidárias, grande parte dos actuais governantes conhecem os meandros partidários, as manobras e as intrigas  para chegarem ao poder, mas uma vez lá chegados gerem o País como geriam e gerem os seus partidos.

A situação da Justiça retratada pela procuradora Maria José Morgado não é, pois, senão um pequeno exemplo do estado a que chegou o Estado. Só que sobre a Justiça  fala-se, ou há quem fale, como é o caso de Maria José Morgado. Noutros casos, os dirigentes nem sabem que não sabem.

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2 respostas a O estado do Estado

  1. Pena que alguns se encolham e não avancem para mais que protesto ou denuncia, Havia lugar para um partido do rio (ou da montanha).

  2. Luciano diz:

    Concordo inteiramente.

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