Forças policiais à briga

DiarioNoticias capa 18 01 014A manchete da edição do Diário de Notícias deste sábado não deixa de ser curiosa: quatro guardas, suspeitos de corrupção passiva – por alegadamente receberem dinheiro de sucateiros para não os fiscalizarem – vão apresentar queixa-crime contra os investigadores da PSP, pelo crime de ofensa à honra e ao bom nome.” A GNR queixa-se de quebra do segredo de justiça, e afirma que os  militares nunca chegaram a ser detidos, tendo apenas estado “sob custódia da GNR até irem a tribunal tendo sido libertados”.

A GNR não gostou que a sua congénere PSP corresse a dizer aos jornais que estava a investigar alguns dos seus militares. Nada de novo, aliás, nem se percebe a “fúria” (a palavra é do DN). Em Portugal, é habitual as autoridades policiais correrem a avisar as televisões  quando  realizam determinadas  “operações” como  apreensão de  droga, contrabando, etc., que lhes servem para mostrar serviço. Com isso, agradam aos chefes e satisfazem as televisões, sempre interessadas em “boas” imagens, sobretudo se metem polícias.

Mas nem todas as “operações” policiais são comunicadas antecipadamente aos media. As forças policiais sabem do que é que os media gostam: casos que envolvam políticos, por exemplo, vão logo parar aos jornais.  Agora foi a própria GNR a ser “vítima” de uma fuga de informação. E, se a notícia do caso não mereceu na altura grande destaque, já a “fúria” da GNR contra a PSP deu manchete no DN. Pudera, não é todos os dias que forças policiais polícias andam à briga na praça pública.

Os militares da GNR que foram investigados e depois libertados por falta de provas estão a sentir na pele o que outros têm sentido quando, por exemplo, nas rusgas da GNR  a certos bairros onde residem emigrantes levam atrás de si as câmaras de televisão cuja simples presença tem o condão de transformar suspeitos em culpados.

Ao menos desta vez os militares da GNR não foram mostrados nas televisões.

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