“Diplomatas” e “responsáveis europeus” mandam recados ao PS e a Seguro

20140127_PublicoFicámos hoje a saber pela correspondente do Público em Bruxelas, que ” diplomatas e responsáveis políticos” acham que “Portugal só poderá aspirar a sair do actual programa de ajuda externa sem qualquer rede de segurança financeira – sob a forma de um “programa cautelar” – se conseguir sossegar os parceiros da zona euro sobre a firmeza do seu compromisso nacional em torno da estratégia orçamental para os próximos anos.”

Já estamos habituados a que de Bruxelas venham umas vozes sem rosto fazer avisos ao governo, à oposição e a nós todos sobre o que temos que fazer para eles nos poderem dar a sua benção, isto é,  emprestarem-nos o dinheiro que havemos de pagar com sangue suor e lágrimas.

Ficámos também a saber, como se não fosse mais que evidente, que “oficialmente é o Governo português que terá de decidir como é que quer sair do programa de ajuda, embora seja certo que não poderá ir contra a vontade da zona euro.” Que é como quem diz, “quem paga a banda encomenda a música”.

E para que as coisas fiquem mais claras, “outro diplomata europeu” disse também à correspondente do Público que o “sentimento positivo” do mercado [que actualmente se vive] poderá no entanto inverter-se de forma drástica e de um dia para o outro se surgir alguma dúvida sobre a determinação do país de eliminar os actuais desequilíbrios das finanças públicas. “Portugal só está a beneficiar destes fluxos de capitais porque cumpriu e continua a cumprir o seu programa”,  e “se surgirem dúvidas nos mercados sobre o compromisso nacional com a estratégia orçamental, será a debandada geral.”

Este “diplomata” está obviamente a mandar recados ao PS, não se sabe a mando de quem. Como quem diz: ou o PS alinha com o Governo na obediência à troika sem levantar cabelo ou então os mercados debandam.

Mas as fontes da jornalista do Público  não ficaram por aqui: “um responsável europeu” vaticina que “o maior risco para uma saída limpa é político” e avança até com um “cenário possível”: “a falta de consenso entre todos os partidos políticos do arco da governação sobre a estratégia de consolidação orçamental , não para o próximo ano, mas para os próximos dez”. E o citado “responsável” não se coíbe de admoestar o PS “por ter decidido contestar o orçamento de Estado deste ano junto do Tribunal Constitucional”.

Mas nem o Tribunal Constitucional  escapa: segundo “outro diplomata”  se “tomar decisões com impacto orçamental poucas semanas antes do fim do programa, poderá criar um clima de incerteza tal que não deixe a Portugal alternativa senão pedir um programa cautelar”.

Fiquem pois sabendo o PS e António José Seguro: “Todas as fontes europeias ouvidas pelo PÚBLICO lembram  que o segredo do sucesso irlandês tem precisamente a ver com a existência de um sólido consenso nacional sobre a trajectória orçamental e que é vista pelos mercados financeiros como uma garantia de reembolso da dívida”.

Só falta  que os  “diplomatas” e “responsáveis de Bruxelas”mandem suspender a democracia e anular as eleições.

O problema  não é “diplomatas” e “responsáveis europeus” andarem a mandar recados  a políticos e a partidos portugueses sem darem a cara. O problema é haver quem  repete os seus discursos protegendo os seus autores, em prejuízo do direito dos leitores de conhecerem a identidade de quem profere  tão doutas sentenças.

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6 respostas a “Diplomatas” e “responsáveis europeus” mandam recados ao PS e a Seguro

  1. Pingback: O que falta afinal à esquerda, um líder ou uma política? | VAI E VEM

  2. cristof9 diz:

    O sentido de responsabilidae é triste e estranho. Metade do espectro politico acha que pertence a outro país; tudo o que se passa aqui,tirando os “direitos” são responsabilidade “DELES”. Da outra metade só querem fazer algo se puderem colocar os jotinhas com tachos.
    Temos uns poucos tarolos (vulgo eleitores) que acham que a culpa é só da seita contraria

  3. Já fez António Rosa. Se não tivesse feito acha que, salvo o João Galamba, toda a Direção estava calada como está. (aproveite e leia a última postagem do meu blogue)

  4. Reblogged this on O Retiro do Sossego and commented:
    Ao que chegamos! Se isto não é ingerência, o que será? Quais foram os crimes de guerra que Portugal cometeu para ser penalizado desta forma?
    Agora é assim. Ou te suicidas ou nós matamos-te.

  5. Pedro diz:

    Ponto 6 do Código Deontológico dos Jornalistas Portugueses: “6.O jornalista deve usar como critério fundamental a identificação das fontes(…) As opiniões devem ser sempre atribuídas”.

    Os ditos jornais de referência têm o terrível hábito de ignorar este ponto fundamental, colocando-se como moço de recados de fontes poderosas. Na relação jornalista-fonte, a admissão de opiniões anónimas como notícias desequilibra a balança em favor da fonte. Irremediavelmente. Quem perde – sobretudo em termos de relevância – é o jornalismo e, por consequência, os cidadãos.

  6. António Rosa diz:

    SE O PS FIZER UM ACORDO COM ESTES GOVERNANTES EU RASGO O MEU CARTÃO.

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