O governo espalhou-se mais uma vez

despedir trabalhadoresA Comissão de Recrutamento e Selecção para a Administração Pública (CREsAP), bem precisava de avaliar os currícula dos membros do governo e não apenas dos dirigentes que eles nomeiam em  de concursos feitos à medida, como revelou o Diário de Notícias e, em parte, confirmou o próprio presidente da CREsAP ao afirmar a este jornal que «mandou corrigir três dos quatro concursos suspeitos de estarem “à medida”» .

De facto, o governo (ou o ministro Mota Soares que deu a cara pela proposta) não sabem bem o que são critérios “objectiváveis” . Disse o ministro, quando solicitado pelos jornalistas a explicar quais os critérios de despedimento de trabalhadores: “O primeiro critério é a “pior avaliação de desempenho”; seguem-se as “menores habilitações académicas e profissionais”; o “maior custo pela manutenção do vínculo laboral do trabalhador para a empresa”; “a menor experiência na função”; “a menor antiguidade na empresa” e a “menos débil situação económica e familiar”.

Assim, se mais. O ministro pensa que a avaliação do desempenho é, por si só, objectivável. E o mesmo quanto aos restantes critérios. Parece não saber que cada um destes critérios, para ser “objectivável” tem de ser traduzido em variáveis e categorias, essas sim objectiváveis. Aí está uma área para a qual  o governo podia contratar alguns bolseiros de ciências sociais e humanas dos que ficaram sem bolsa, que o ajudariam a criar uma grelha de critérios “objectiváveis”.

Depois da rejeição firme das centrais sindicais, o ministro da Presidência anunciou que os tais critérios ainda não estão em condições de ser operacionalizados. Pois não e não é tarefa fácil. Nem é para escritórios de advogados ou para economistas (com o devido respeito por estas áreas de conhecimento). E muito menos os critérios podem ser aplicados  “a olho” ou a gosto do chefe.

Dá a impressão que o governo apresenta propostas sem minimamente as estudar. Ora, arranjar critérios para despedir pessoas, primeiro, não é coisa que se faça, depois, que se faça de ânimo leve.

Anúncios
Esta entrada foi publicada em Governo, Política, Sociedade, Sociologia dos Média. ligação permanente.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s