“jogo sujo”, diz quem sabe.

segredoNada como ser um jornalista a pôr em letra de forma alguma coisa do que se passa entre  jornalismo e justiça.  Nada que outros não tenham já dito, mas escrito por um jornalista ganha outra dimensão. O jornalista é Pedro Tadeu, sub-director do Diário de Notícias, e o tema é o segredo de justiça. Leia-se, este excerto do seu artigo, publicado hoje: :

(…) A lei é hipocritamente aplicada. A maior parte dos processos são públicos mas apenas por não interessarem à imprensa. Nas poucas dezenas que os jornais acompanham a regra é declarar-se o segredo de justiça e, a partir daí, desencadear–se uma batalha, paralela à guerra jurídica, em que as partes envolvidas pingam detalhes a conta-gotas, selecionados e não verificáveis pela leitura das peças processuais.

O tempo do segredo de justiça liberta o boato anónimo, a coberto do sigilo do jornalista. É o tempo para as autoridades e os arguidos, muitas vezes pessoas poderosas que justificam o interesse mediático, manipularem a opinião pública.

O jornal que tentar colocar-se fora dessa luta tem um belo futuro: a morte. Os leitores entenderão a ausência de notícias como incapacidade dos jornalistas desse título ou, pior, alvitram a existência de uma cumplicidade silenciosa com os suspeitos. É um suicídio profissional. Não há outra solução senão participar no jogo sujo, inevitavelmente favorável a quem procura uma acusação. É o segredo de justiça que impõe esta porcaria.(…)”. (sublinhados acrescentados no texto)

O texto de Jorge Tadeu refere-se à imposição do segredo de justiça  ao caso da praia do Meco, mas aplica-se a muitos casos e, sobretudo, ajuda a perceber porque é que certos processos rendem meses e anos de notícias e outros não. E levanta a questão de saber se a justiça é incompetente para investigar e necessita que os media façam o tal “jogo sujo favorável a quem procura uma acusação”… de que fala Pedro Tadeu.

O que dirão das palavras de Pedro Tadeu, jornais “especializados” nas violações do segredo de justiça?  Quererão mesmo que o segredo de justiça seja limitado?

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