O general e o ministro deram o seu contributo para a bandalheira reinante

Garcia Leandro na Antena 1Ouvi esta manhã, a entrevista do general Garcia Leandro à Antena 1 e a primeira coisa que me veio à memória foi a frase de Marcelo Caetano quando pediu a Spínola que  assumisse o comando da situação a fim de evitar que ” o poder caia na rua”.

Disse o general Garcia Leandro que o ministro da Defesa, Aguiar Branco, lhe confidenciou que “não percebia nada da Defesa” e que seria mais fácil ser ministro da Justiça. E acrescentou o  general que o ministro lhe  “confessou que não percebendo nada da matéria tinha mais capacidade para fazer reformas”. A conversa terá sido em 2011.

Não sei o que é mais surpreendente, se saber que o ministro não percebe nada de Defesa – o que, bem vistas as coisas, não é propriamente uma surpresa – se um general, mesmo na reserva, vir agora ao fim de quase 3 anos revelar publicamente o que o ministro lhe confidenciou certamente em privado.

O ministro mandou o seu gabinete desmentir o general num comunicado onde revela “grande sentido de Estado”:  o “Tenente-General Garcia Leandro não é seu assessor, amigo pessoal ou confidente” ” e “reconhece não ter sido possível acomodar, no processo de reforma em curso, as muitas vontades do senhor Tenente-General mas lembra que não é ministro com a tutela das preferências pessoais do senhor Tenente-General Garcia Leandro”.

Os militares, sobretudo as altas patentes,  costumam ser pessoas contidas e também não é muito habitual os gabinetes dos ministros mandarem “bocas” aos generais  em comunicados oficiais.  Mas, pelos vistos, o “tenente-general”  Garcia Leandro considerou que o ministro já nem merece a reserva de uma confidência e o ministro retribuiu remetendo o “general” ao seu verdadeiro posto  de “tenente-general” que, segundo a Wikipédia, é  uma “patente, imediatamente inferior à de general”. 

Em suma: o general e o ministro deram o seu contributo para a bandalheira reinante. O poder está quase….na rua.

 

 

 

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7 respostas a O general e o ministro deram o seu contributo para a bandalheira reinante

  1. Antónimo diz:

    Uma precisãozinha em relação ao que diz Machado.

    Os postos militares dividem-se em praças, sargentos e oficiais. Os de oficial ainda têm umas divisões: Os oficias subalternos (alferes – ou guardas-marinhas – e tenentes – ou segundos-tenentes), os capitães (capitão ou primeiro-tenente), os oficiais superiores (major, tenente-coronel, coronel, e equivalente da armada) e os oficiais-generais.

    São três, há algumas décadas, e independentemente das designações os postos dos oficiais-generais dos três ramos das forças armadas portuguesas.

    Assim, latamente, existem oficiais-generais de duas, de três e de quatro estrelas.

    As quatro estrelas estão desde há muito reservadas aos postos de CEMGFA, CEMA, CEME e CEMFA (e se o houver ao presidente do Supremo Tribunal de justiça Militar – um cargo rotativo entre os ramos e que explica que Almeida Bruno seja general com quatro estrelas sem ter sido Chefe do Estado Maior do Exército).

    Até à referida alteração para convergência dos nomes dos postos portugueses com os da OTAN, estes oficiais (o mais alto posto) eram generais de quatro estrelas ou almirantes.

    O oficial-general logo abaixo era o general de três estrelas (por exemplo, no Exército, exerciam cargos como o de quartel-mestre general, de ajudante general do exército, de director de Arma, de região militar ou de unidades operacionais de nível divisão) ou vice-almirantes. O seu conhecido Carlos Azeredo era general de três estrelas, na situação actual o mesmo que tenente-general.

    O oficial-general com duas estrelas era o contra-almirante na Armada e o brigadeiro no exército e força áerea.No exército comandavam por exemplo as unidades operacionais de nível brigada.

    claro que por motivos de simplificação, generais de quatro e generais de três estrelas (postos, níveis remuneratórios e responsabilidades diferentes) eram tratados por “meu general” ou “senhor general” e não por “senhor general de tantas estrelas”. Apenas o brigadeiro, embora fosse um oficial-general (ou seja, um oficial habilitado a comandar grandes unidades e forças constituídas por subunidades de várias armas e serviços), era tratado por “meu brigadeiro”.

    Na marinha a coisa ainda é mais simplificada. Os oficiais-subalternos levam todos com o “senhor tenente”, os três postos de oficial superior (capitão-tenente, capitão-de-fragata e capitão-de-mar-e-guerra, equivalentes respectivamente a major, tenente-coronel e coronel) são todos “senhor comandante” e os oficiais-generais (os três tipos de almirante existentes) todos remetidos ao tratamento por “senhor almirante”.

    Com a ideia de fazerem as designações convergirem com as da OTAN, as da Armada não foram mexidas, pois tinham designações diferentes para os postos de oficial-general. Mas Exército e Força Armada foram. Os brigadeiros passaram a chama-se majores-generais, os generais de três estrelas passaram a chamar-se tenentes-generais e os generais de quatro estrelas passaram a ser os únicos com o título de general. Na Armada, embora o topo da carreira seja no posto de almirante (o das quatro estrelas, com o se pode ver no uniforme de Verão), ninguém deixa de chamar almirante aos vice-almirantes (três estrelas) ou aos contra-almirantes (duas estrelas).

    O que aconteceu é que agora os antigos brigadeiros vão à televisão e também eles são tratados por senhor general, amalgamando o tratamento que antes só era amalgamado nos generais de três e quatro estrelas.

    Resta ainda dizer que neste processo de convergência, não se criou o posto de general de uma estrela que grande parte dos paíse da OTAN têm. Assim, nessa ausência, existem postos honoríficos de general de 1 estrela para militares portugueses em exercício junto de exércitos com esse posto e que por estarem em exercício counjunto estão a exercer cargos que são exercidos nesses exércitos por generais de 1 estrela. O que é que se faz? Gradua-se temporariamente o coronel ou o capitão-de-mar-e-guerra que exerce esse cargo. São os postos de brigadeiro (que já não é o antigo oficial-general com direito a usar duas estrelas) e de comodoro (na Armada), reservados a coronéis e capitães-de-mar-e-guerra tirocinados, ou seja, habilitados com o curso de promoção a oficial-general, mas ainda não promovidos.

  2. Jorge Abreu diz:

    É altamente penoso é ver os lugares mais elevados da hierarquia das Forças Armadas ciclicamente denegridos de ânimo leve. Instalou-se em sectores políticos e mediáticos que vão da esquerda à direita, uma certa “cultura anti-militar”, muito fundada no preconceito e no desconhecimento, que continua dominante. As tentativas institucionais que pontualmente ou de modo continuado tentam inverter a situação, não têm resultado. Umas e outras, mais as últimas, estão viradas para dentro, para os “do costume”, funcionando sobretudo como modo de melhorar os curriculum dos beneficiários, não se traduzindo depois como seria de esperar, na multiplicação do conhecimento e da influência. A “simples” acção de um ou dois militares fora do activo, sem qualquer investimento público, fizeram e fazem mais do que muito dinheiro do orçamento geral do Estado gasto em institutos, conferências, livros, relações públicas, cursos para jornalistas, beberetes, viagens, etc. Recordo o falecido comandante Virgílio de Carvalho, pioneiro nesta área da comunicação “não-oficial”, e na actualidade os generais Loureiro dos Santos e Garcia Leandro, com intervenções regulares no espaço mediático sem paralelo no nosso país. Como é aqui o caso, Francisco Félix Machado explicou de forma clara concisa e precisa, uma matéria que não suscita dúvidas, agora só com um desenho, talvez da Wikipédia…

  3. Obrigada pela rectificação, Francisco, o link que inseri no post remete para a fonte da informação. talvez o Francisco possa corrigir visto que a Wikipédia é feita pelos leitores. Mas deixe-me dizer-lhe que se o posto de tenente-general é equivalente ao de general não se percebe porque razão o ministério da Defesa teve o “zelo” de o nomear como tenente-general quando é sempre tatado ppor general

  4. Francisco Félix Machado diz:

    Na hierarquia militar portuguesa as patentes mais elevadas no Exército e na Força Aérea, a Marinha tem designações diversas, os escalões mais elevados eram Brigadeiro e General, por ordem inversa, independentemente do número de estrelas do General, o posto mais elevado. A designação foi alterada em 1999, de acordo com o que é usual nas forças armadas dos países da NATO. A mais elevada é Tenente-General, que equivale a General e Major-General a Brigadeiro, pelo que neste texto se comete o erro em afirmar que Tenente-General é um posto inferior a General. A designação de General é reservada em exclusivo para o chefes de estados maiores do Exército e da Força Aérea, a Marinha tem designações diferentes, e para o Chefe do Estado Maior das Forças Armadas.

  5. cristof9 diz:

    até já os tenentes-gnerais perderam o decoro que as verbas postas a seu belo uso por este povo tão pobre, mereciam que tivessem em consideração. A escumalha acaba sempre por se denunciar mais dia menos dia.

  6. O país foi transformado num quartel de tropa fandanga. O Brigadeiro-em-Chefe é Passos Coelho e o seu Tenente-Ajudante é Paulo Portas. Com esta gentinha inexperiente no (des)governo do país, outra coisa não era de esperar. O ministro das Tropas, ele próprio, confessou que nada percebia de assuntos militares. O Primeiro e o seu Vice, também são inaptos, muito embora tenham criado a novilíngua política, consubstanciada no “calibragem do orçamento”, e nas “almofadas” para o futuro.
    Se tudo isto não fosse trágico, mas é. Este país regrediu até 1997. E a dívida, que está nos 130% do PIB, se não for escalonada e com juros mais suaves, vai ser impossível paga-la. Só para os juros anuais da dita, precisamos de 8.000.000.000,00 de euros. A economia do país não cresce para podermos pagar o serviço da dívida e as suas prestações.
    Este país está numa bandalheira. Já nem os Generais estão à altura. Está tudo “descalibrado”.

  7. ....JOÃO ANTÓNIO VILLELA CABEÇO diz:

    Eheheheheheeh !! Só mesmo aqui !! Vamos à “ULTIMA FORMATURA” … e já !! É que os COMBATENTES , estão a desaparecer ou outros são os cem Abrigo de PORTUGAL , que os esqueceu !!

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