Os telejornais vistos pelos seus directores

Directores das televisõesOntem um debate com os directores de Informação dos canais de televisão generalistas – RTP1, SIC e TVI – na universidade do Minho, promovido pela Notícias TV. Hoje uma entrevista, na mesma Notícias TV, a Judite de Sousa. Momentos importantes para percebermos o que pensam os responsáveis pelo que diariamente chega pela televisão a milhões de portugueses. E chega não apenas através dos canais de televisão que eles dirigem mas também pelas redes sociais que, em grande parte, comentam e multiplicam o que vemos nas televisões e lemos nos jornais. As plataformas mudam, crescem mas os conteúdos não tanto ou mesmo quase nada.

Então o que dizem os directores de informação das televisões  sobre o que nós  queremos ver? Dizem que queremos telejornais de mais de uma hora, porque tudo é notícia ou pode sê-lo e, dizem,  a prova é que em Portugal há três canais de informação no cabo. Assim sendo, a RTP vai também estender o seu Telejornal das 20h00, que passa a partir de Março  a durar uma hora e dez minutos.

Os directores também disseram que os telejornais devem ser espaços onde cabem todos os “géneros”: notícia, reportagem, comentário político e políticos a comentar (o director da TVI distinguiu, em entrevista ao Público, os dois “géneros” e tem razão, porque não são a mesma coisa). E disseram que as notícias não podem ser só política (claro que não mas Portugal é o país onde há mais ministros nos telejornais) e que também podem ser a “estória da rua mais pequena ou da rua maior”. (É verdade, qualquer rua pode dar uma estória, acontece porém que um telejornal, com este ou outro nome, é tradicionalmente um espaço de notícias, não é um magazine. Mas pode sê-lo desde que anunciado como tal e desde que os canais generalistas emitam espaços realmente noticiosos onde os públicos (não falo agora de audiências) possam ver as notícias do dia e depois irem fazer outras coisas).

Uma das consequências desta opção por telejornais magazinescos  é que os públicos são levados a procurarem outras fontes de informação. Ficam as audiências, talvez à espera da novela que se segue… e para a publicidade o que interessa são as audiências (sustento essencial dos canais privados, como foi bem sublinhado pelos seus directores).  

De qualquer forma,  à parte esta minha discordância de fundo com a desvalorização da informação no sentido do interesse público, isto é, dar aos cidadãos informação que lhes permita  fazerem escolhas e tomarem decisões informadas no seu dia-a-dia (e isto pode não ter nada a ver com a política no sentido em que esta é encarada em Portugal (guerrilha, dichotes, quem ganha e quem perde), foi uma boa oportunidade para entendermos melhor a nossa televisão .

Os directores prestaram um bom serviço à comunidade académica e não só, ao disporem-se a discutir em público as suas estratégias e as suas opções. A transparência do sistema mediático também passa por aí.

 

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2 respostas a Os telejornais vistos pelos seus directores

  1. Em lugar de serem os Diretores de televisão a falar sobre a programação dos telejornais, deviam antes os telespetadores a falar sobre esse tema. Eu, por exemplo, cansei-me de assistir aos telejornais das 20,00 horas. Fazem concorrência uns aos outros, prejudicando o interesse e a atenção do telespetador. Pelo menos dois canais expiam-se, e passam as mesmas notícias em simultâneo. Ao fim de 10 minutos, fecham a janela, para nos dar 7 minutos de publicidade. Esta “corrida” cansa, e causa impaciência. Muitas vezes as notícias importantes ficam para o fim do telejornal. Este desencanto levou-me a preferir os telejornais dos canais por cabo às 21,00 horas, por serem mais enxutos, terem menos publicidade, e serem mais curtos. Dias há em que, como consumidor de notícias sobre o estrangeiro, não me sinto realizado, em especial com omissões sobre África e Brasil, onde acontecem notícias que que dizem respeito, direta ou indiretamente, ao nosso país, à nossa economia e à nossa cultura. Por esse motivo, faço zapping e ligo-me a um canal da vizinha Espanha, a um sul-americano, à France TV, à Press TV, RT-TV ou até à TPA (Angola). Constou-me há dias que O Preço Certo, foi o programa eleito pela maioria dos espectadores da RTP. Por esta preferência podemos avaliar a qualidade e a atualidade dos programas oferecidos aos telespetadores.

  2. Reblogged this on ergo res sunt and commented:
    Vazio consensual

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