Assinar por baixo

manifesto 70 notaveisO manifesto dos “70 notáveis” que o Público anuncia na sua edição de hoje é um marco na história recente do País e não pode deixar de ter consequências. Apanhou certamente de surpresa o governo, a avaliar pela reacção quase desesperada, embora contida, de Passos Coelho.

Juntar num mesmo manifesto, que não é apenas uma mera manifestação cívica de apoio a princípios indiscutíveis, nomes como Manuela Ferreira Leite, Francisco Louçã, Bagão Félix, Carvalho da Silva e Adriano Moreira, que noutros momentos se confrontaram em lados opostos de várias “barricadas”, é um acontecimento político, cívico e público da maior importância.

O facto de este manifesto surgir um dia após o Presidente da República ter escrito também ele o seu “manifesto”, mais conhecido por Prefácio, confere-lhe ainda maior significado. De facto, enquanto o escrito de Cavaco aponta para mais do mesmo, tentando forçar o PS a juntar-se à desgraça que prevê como fatal para os próximos 20 anos, o “manifesto dos 70 notáveis” aponta para novo caminho, um caminho de que Cavaco e o governo não querem sequer ouvir falar – a reestruturação da dívida. Os “70 notáveis” deram assim ao Presidente uma “bofetada sem mão”, dizendo-lhe que há outro caminho para além do empobrecimento e da austeridade “doa a quem doer”.

E a lição de economia e finanças dada pelos “70 notáveis” ao catedrático de finanças Cavaco Silva tem ainda maior significado quando o Presidente, deslumbrado com o seu saber, vem criticar “os que falam sobre o pós-troika “mesmo não sabendo nada sobre as questões”. “Falar qualquer um pode falar mas escrever e assinar por baixo só pode fazer quem estudou bem os problemas”, disse o Presidente.

Pois bem: os “70 notáveis” assinam “por baixo” um manifesto que não apenas desafia o Prefácio do Presidente mas o obriga a rever a sua proposta de “consensos” para perpetuar por muitos e bons anos o destino de miséria a que o governo, com o apoio do Presidente, pretende condenar os portugueses.

Este manifesto é também uma oportunidade para o PS tomar, enfim, a iniciativa de mesmo antes de chegar ao poder preparar as condições nacionais e internacionais para a concretização de uma solução alternativa àquela que é proposta pelo Presidente e pelo governo e que passa pela reestruturação da dívida.

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Esta entrada foi publicada em Comunicação e Política, Economia, Governo, Política, Presidente da República, Sociedade. ligação permanente.

2 respostas a Assinar por baixo

  1. Francisco josé Carvalho Rana diz:

    Assino em baixo!

  2. Antonio Costa diz:

    ´Pois é. O Senhor Presidente e o (des)governo do Sr.Primeiro Ministro não gostam de ser contrariados nos seus doutos pareceres. Esses 70 subscritores do manifesto tiveram o atrevimento e a ousadia de afrontar o dogmatismo dessa oligarquia governativa. Pois é. Vamos ver se de subscritores, alguns deles,não passam a proscritos! 20 anos chafurdando na miséria, na pobreza vaticinada por alguem que não sabe o que isso é, o que sentem e sofrem aqueles que por lá estão, desesperançados, comendo as migalhas da tristeza como unica refeição. Pois é. Que importa a essa casta superior que a grande maioria do seu povo viva no limiar da miséria?
    Que os jovens não possam ter o direito de viverem uma vida condigna ou que os idosos almejem
    uma velhice tranquila? Pois é. O que de facto importa para um governo nepotista é ser um bom aluno, um subserviente de quem tem mais poder. Porque ele sabe que mais tarde é compensado
    com um excelente diploma do bom serviço prestado, ao ser nomeado para cargos de governação na elite europeia. Nós, os enchota-moscas por cá ficaremos, comendo o pão que o diabo amassa. Pois é. Este povo Lusitano, filho de uma historia que não nos envergonha, é agora o paradigma ilustrativo para o Mundo, de que a única coisa que lhe resta é fugir do seu País a sete pés, porque se sente acossado pela incompetênciae ignorado pela decêcia. Pois é.

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