O coro dos indignados contra o Manifesto

Cavaco e PassosCompreende-se a indignação de alguns signatários do Manifesto, como Adriano Moreira, Manuela Ferreira Leite ou Bagão Félix perante os ataques, até de cunho pessoal, vindos de pessoas e quadrantes da direita.

De facto, o coro dos indignados contra o Manifesto teve na reacção descontrolada e irritada do primeiro-ministro o sinal às suas “tropas” para seguirem o rastilho e afiarem as “facas”. Responderam à chamada Paulo Rangel, Catroga, Pires de Lima, e até Carlos Moedas se sentiu com autoridade para dizer que Ferreira Leite, Bagão Félix, Louçã (sem os citar) não conhecem a dívida portuguesa. Ora, Moedas, o “correio” da troika em Portugal que antes defendia a reestruturação da dívida, vem agora virar o bico ao prego porque nessa altura “não imaginava o futuro”!
E que dizer de Catroga, acusando a sua amiga Ferreira Leite de “completa ignorância”? E de Pires de Lima, mentindo descaradamente ao afirmar que os autores do Manifesto não querem pagar a dívida?

Quanto mais não fosse, o coro dos indignados contra o Manifesto revela a verdadeira índole de uma certa direita apoiante do governo.

Surpreendente é também o silêncio ensurdecedor do Presidente. A exoneração dos dois consultores revela a permanente tergiversação do seu agir. Tão depressa escreve um Prefácio a dizer, sem o assumir, que a dívida é na prática insustentável e a pedir consensos, como exonera aqueles que assinam um manifesto a dizer o que ele próprio sugeriu, e castiga os seus colaboradores que se juntaram a outros, num consenso que dificilmente poderia ser mais alargado.

Ao invés de se abrirem a uma discussão rigorosa e aprofundada do Manifesto, governo e Presidente optaram, o primeiro pela arrogância e autoritarismo, o segundo pela demarcação e indiferença.

O País merecia dirigentes à altura num momento decisivo como este, em vez de um governo medroso e tolhido perante a troika e um Presidente prisioneiro das suas contradições e utopias de que um consenso nascerá das cinzas de um país destruído.

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