Entre sorrisos e silêncios

Há silêncios ruidosos e há silêncios que chocam. Atrás de silêncios e de sorrisos a verdade esconde-se fugidia…  Eis dois casos:

1. O sorriso da ministra

O Expresso noticiou que a ministra das Finanças sabia e autorizou o secretário de Estado da Administração Pública a convidar os jornalistas para o  briefing sobre as pensões

Desviando a questão, Maria Luís Albuquerque refugiou-se na tradição de não falar sobre política interna fora do paísAlguém reagiu? que se saiba não. Como era óbvio, a ministra não podia ignorar a iniciativa do seu secretário de Estado e o primeiro-ministro ao não ter exigido explicações à ministra mostrou fraqueza e incapacidade de se impôr às guerrilhas internas no seio da coligação.

Mais tarde, em Atenas, o sorriso displicente com que a ministra recusou responder aos jornalistas, voltando-lhes as costas quando a interpelaram sobre o assunto mostrou que não só sabia do briefing e o autorizou como quis mostrar que, tal como no tempo de Vítor Gaspar, quem manda no governo é o ministério das Finanças.

2. As revelações de Mário Crespo e o silêncio que as rodeia.

O outro caso é a espantosa revelação de Mário Crespo ao Correio da Manhã, a propósito da sua saída da SIC Notícias:”Perdi o meu posto por inconformismo editorial“. Segundo o jornal, “o jornalista denunciou ainda as ligações entre o grupo de Francisco Pinto Balsemão e o regime angolano.Tive uma carta do diretor de informação da SIC [Alcides Vieira] a proibir-me de levar o Rafael Marques [jornalista e ativista dos direitos humanos angolano, crítico do governo de José Eduardo dos Santos] ao meu jornal“. Crespo revelou ainda que várias vezes rejeitou emitir “reportagens muito bondosas sobre Angola” no seu noticiário.»

De acordo com a notícia, o director de Informação da SIC afirmou que a acusação “é falsa”. Mas as acusações de Crespo não se ficaram pela SIC. Segundo o Correio da Manhã, citando-o em discurso directo, Mário Crespo disse ainda estranhar as reportagens positivas sobre Angola publicadas no ‘Expresso’ e lembrou a venda de 23,13% da Impresa, por parte da Ongoing, a “fundos privados que ninguém sabe quem são”.

São acusações graves, convenhamos, que mereceriam mais que o silêncio que as envolveu até agora.

Há, contudo, algumas questões que este episódio suscita: porque se calou Mário Crespo até agora? E porque não exibe a carta do director da SIC com a “proibição”?

Mais estranha é a acusação ao Expresso, um jornal que, como se sabe, não se coibiu de relatar os acontecimentos que envolveram as investigações do Ministério Público português a altas individualidades políticas de Angola.

Fica um sabor a vingança tardia se nos lembrarmos de que o Expresso acabou com a crónica de Mário Crespo depois de este ter comparado o jornal a “um blog de malidicência e arruaça”.

Tenha ou não motivos para acusar a SIC e o Expresso, o certo é que Crespo tem um portefólio de “casos” polémicos e mal resolvidos.

O governo anterior teve em Crespo um opositor persistente, secundando a TVI de Moniz e Moura Guedes e o semanário SOl, mas não só, erigindo  Sócrates como alvo a abaterCrespo no Parlamento

Também as suas campanhas contra a RTP a partir do “Jornal das 9” atingiram níveis inconcebíveis que, contudo, a SIC Notícias permitiu.

Com este historial, Crespo saíu do écran da SIC Notícias, mas não lhe faltarão palcos para continuar as polémicas que sempre o acompanharam.

 

 

 

 

 

Anúncios
Esta entrada foi publicada em Comunicação e Política, Governo, Jornalismo, Política, Sociologia dos Média com as etiquetas . ligação permanente.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s