Balões de ensaio na tragédia do Meco são inaceitáveis

Depois de algumas semanas sem notícias do processo sobre a tragédia do Meco, os órgãos de comunicação social começaram a noticiar que o processo “vai ser arquivado”, porque não existem provas para constituir o único sobrevivente como arguido.

Como sempre acontece em processos em segredo de justiça, como é o caso, a notícia não tem fontes. Conclui-se que por inspiração divina os jornalistas de todos os meios de comunicação social  “descobriram” que a intenção dos investigadores é arquivar o processo.

Algumas das televisões mais empenhadas na descoberta e reconstituição dos acontecimentos ocorridos naquela noite fatídica, não disfarçavam um certo desapontamento por, afinal, a investigação judicial não confirmar os dados da investigação jornalística.

Eis senão quando, surgem notícias de que afinal a coisa não era bem assim, ainda há muitas testemunhas para ouvir e ninguém falou em arquivar o processo. Começam então as audiências dos pais dos jovens desaparecidos, que se mostram confiantes de que o processo não será arquivado, prometendo ir até às últimas consequências na descoberta da verdade.

Estamos na fase de os repórteres se postarem à porta do tribunal para ouvirem as declarações dos pais das vítimas à saída das audições com o responsável do processo. Muitas horas de conversa, dizem os infatigáveis repórteres.

É lamentável que até num processo tão doloroso como a tragédia da praia do Meco, os agentes da justiça não consigam agir com transparência, divulgando o que pode e deve ser divulgado e protegendo a informação que deve ser protegida até ao momento em que puder ser divulgada.

Os balões de ensaio que estão a ser lançados, é disso que se trata, de “arquiva-não-arquiva-o-processo”, são inaceitáveis e denotam uma falta de respeito pelos familiares, pelos cidadãos em geral e pelos próprios jornalistas que aceitam este jogo pouco “limpo” de servirem de correias de transmissão de interesses e objectivos muito pouco transparentes, à espera que lhes caiba uma “migalha” dos segredos da justiça.

Os responsáveis do processo que arquivem o processo se não têm provas para uma acusação ou acusem se têm provas, ou calem-se até tomarem uma decisão. Jogos de contra-informação é que não são aceitáveis!

 

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Uma resposta a Balões de ensaio na tragédia do Meco são inaceitáveis

  1. A.A. diz:

    A este propósito talvez valha a pena ler o que escreveu o correspondente do El País:

    Antonio Jiménez Barca, El País 15 FEB 2014
    “Por otro lado, mientras la policía investiga y reúne poco a poco pruebas, el encendido debate sobre este tipo de novatadas, muy extendidas en la universidad portuguesa, desaparece. Hace dos semanas, tanto los políticos como la prensa lusa martilleaban sobre la conveniencia o no de prohibir estas prácticas. Ahora da la impresión de que todo el mundo asume que todo vaya a seguir igual. De hecho, el próximo 21 de febrero hay una manifestación en Lisboa de apoyo a estas prácticas, que muchos defienden por considerar que, convenientemente depuradas, voluntarias y organizadas, sirven para la integración de los universitarios.”

    http://anti-praxe.blogs.sapo.pt/

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