Barroso e a construção do candidato presidencial

Barroso e Cavaco GulbenkianA sessão na Gulbenkian organizada pelo presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, com a presença de comissários europeus e das mais altas individualidades do Estado português, foi um pseudo-evento organizado para ser coberto pelos media com o objectivo de promover a imagem de Durão Barroso como candidato presidencial.

Em teoria, o sucesso de um pseudo-evento depende  da atenção que os media lhe dedicam e da  capacidade de criar novos pseudo-eventos, através da multiplicação das  mensagens que se pretende divulgar.  Convidados mediáticos, como o Presidente da República e o primeiro-ministro garantiam neste caso a presença da imprensa e assegurariam também a de outros convidados ilustres. Comissários e ministros  compunham o enquadramento, embora remetidos a figuras  secundárias. Não cabiam nesta encenação discursos dissonantes. A oposição não podia, pois, ter lugar naquele palco.

O pseudo-evento de Durão Barroso cumpriu aparentemente esta tipologia:  páginas inteiras nos jornais em papel e nas edições online, reportagens em todas as televisões e rádios, multiplicação dos discursos, nomeadamente dos elogios feitos ao criador do pseudo-evento – Durão Barroso – por parte dos oradores principais e dos auto-elogios do próprio.

Acontece, porém, que na era das redes sociais e dos blogs, e com a proliferação de comentadores que circulam entre estes e os media tradicionais o modelo de  pseudo-evento usado para promover Durão Barroso tem os dias contados.

Mal começaram a ser divulgados excertos dos discursos dos “principais” tornou-se imediatamente evidente que o pseudo-evento se destinava pura e simplesmente a fabricar a personagem Durão Barroso, candidato presidencial.  A desconstrução da mensagem promocional de Barroso fez o seu caminho, anulando e até ridicularizando  os elogios de Cavaco e Passos. Marques Mendes não demorou a vir a terreno apontar o dedo (e faltam ainda Marcelo e outros, sem contar com os comentadores vindos da oposição).

Não sei se Passos e Cavaco colaboraram conscientemente no lançamento desta pré-candidatura presencial de Barroso. Mas, pelo menos relativamente ao primeiro, tudo leva a crer que sim. O regresso de Relvas a um lugar partidário de relevo no último congresso pode prenunciar o desejo de colocar um barrosista em posição de influenciar a escolha do candidato presidencial do partido.  E quanto a Cavaco, é de crer que prefira Barroso a Marcelo para lhe suceder.

O processo de construção da personagem presidencial de Durão Barroso está em marcha. Cavaco e Passos Coelho são já dois apoiantes comprometidos.

 

 

 

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