O primeiro-ministro precisa de dar outra entrevista

PM e Gomes Ferreira Público

É óbvio que o primeiro-ministro não tinha nada para dizer na entrevista que deu a Gomes Ferreira, na SIC. Pode perguntar-se porque deu então a entrevista. Alguém o terá (mal) aconselhado.

Não é que o momento tenha sido mal escolhido. Pelo contrário, depois das últimas broncas –  o briefing do secretário de Estado que era “especulação” e afinal não era; o relatório do grupo de trabalho sobre os cortes nas pensões que o próprio grupo de trabalho diz que não conhece nem produziu; a ministra das Finanças que diz ter recebido o dito relatório mas não teve tempo de o ler;  a saída (da troika) “limpa” ou nem tanto; os cortes nas pensões e nos funcionários públicos…e tantos outros assuntos graves e urgentes – o primeiro-ministro teria coisas para revelar, se as quisesse revelar. Mas decididamente, não quis.

Talvez Passos Coelho tenha pensado que Gomes Ferreira, um jornalista “amigo” do seu governo, lhe facilitaria a vida, poupando-o a perguntas incómodas, como veio a acontecer. Como bem notou Rui Tavares, Gomes Ferreira até lhe pediu desculpa por insistir numa pergunta: “Desculpe, foi um impulso jornalístico”.

A entrevista foi um flop quer para o primeiro-ministro quer para o entrevistador. No Público, Paulo Pena desconstrói e analisa a “langue de bois” do primeiro-ministro e a maneira como fala sem dizer nada, mostrando como nesse vazio de ideias e de palavras sem sentido reside todo o seu programa político: “desonerar salários e pensões”, “não alargar os cortes”, “solução duradoura não será tão grande”….frases ambíguas que dão para amanhã o primeiro-ministro fazer uma coisa e o seu contrário.

O primeiro-ministro devia dar outra entrevista para explicar as confusões e as omissões que deixou nesta. Mas talvez seja melhor escolher um jornalista com um estilo mais “confrontacional”, porque para conversas em família  já temos os programas dos comentadores políticos.

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Uma resposta a O primeiro-ministro precisa de dar outra entrevista

  1. COELHADA NA SIC BALSEMÂNTICA

    Coelho, o Grande entrou. Tinha as botas todas enlameadas.
    O coelho diminuto, o coelhinho tinha as orelhinhas espetadas e a boquinha aberta como quem espera cenoura. Com ela, com a boquinha ria de orelha a orelha. O grande fazia cara de mau e dizia coisas; o pequeno ouvia, com aquelas grandes orelhas de ouvir e, embevecido, dizia miau, como se fosse gato.
    Se o grande fosse o elefante da anedota teria perguntado: «ó coelhinho, tu largas pêlo?»
    Finda a tertúlia, o pequeno, com a língua de fora, agradeceu atento venerador e muito obrigado.
    O grande, quando saiu, levava as botas limpinhas como se fossem da tropa em dia de revista.
    Vendas Novas, 17 de Abril de 2014
    ABDUL CADRE

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