De como o CDS tem engolido sapos vivos

portas-e-passoSão muitos os sinais que apontam para a degradação das relações entre os dois partidos, ou pelo menos entre os membros desses partidos – PSD e o CDS – que integram o governo.

O CDS parece ter entrado em estado comatoso, Paulo Portas já só reage com pausas e esgares a qualquer pergunta que lhe façam. Há dias, perante uma pergunta sobre a  baixa do IRS, que o CDS tem defendido, puxou pelo telemóvel para ler o parágrafo do seu célebre guião da “reforma do Estado” onde se escreve que a questão seria ainda tratada nesta legislatura,  assim desmentindo Passos Coelho. Tudo com muito cuidadinho, não vá a memória traí-lo, e por isso nada como trazer o guião no telemóvel para tirar dúvidas… Mesmo assim, Portas  não se livrou de ser acusado de desmentir o primeiro-ministro, que afirmara na entrevista à SIC que o governo não se comprometeu com a reforma do IRS.

O CDS tem engolido sapos vivos nas últimas semanas, com o seu ministro da Segurança Social remetido para lugar secundário pela ministra das Finanças e até ultrapassado pelo secretário de Estado da Administração Pública que anunciou, à  revelia do ministro da pasta, do CDS, a reforma das pensões.

Hoje, Pires de Lima não se conteve e, de rosto fechado, desmentiu a ministra das Finanças sobre a criação de uma taxa para alimentos “perigosos”. Terá pensado: “Haja alguém que ponha ordem nesta bagunça”!

O CDS tem aguentado todas as provocações do seu parceiro de coligação, assim  expiando a demissão “irrevogável” de Portas. Passos Coelho não sabe de governança nem de finanças, muito menos de economia ou de cultura. Mas de uma matéria ele sabe: dos velhos truques da  política politiqueira e da vingança fria e calculada. Portas que o diga…e os pensionistas também.

O caos em que se encontra a coligação governamental encontrou a sua expressão mais evidente no chamado “grupo de trabalho” integrado por especialistas externos ao governo para estudarem a reforma do sistema de pensões. A cena patética do “relatório” que era dos “sábios” mas depois não era e que ninguém conhecia, nem a ministra das finanças apesar de o ter recebido e depois veio dizer  que afinal era um documento técnico e provisório, aí está para o ilustrar. Só faltou dizer que o relatório é um papel para o lixo.

Os  episódios burlescos a que o governo sujeita o País não se devem a  problemas de comunicação, embora seja notória  a incontinência verbal dos membros do governo. Devem-se sim ao facto de o governo não ter uma ideia para o País e, não a tendo, não a pode comunicar. Enquanto teve Vítor Gaspar, o primeiro-ministro deixou-o afundar o País, incapaz de se impôr perante  o experimentalismo do “mestre”. Saído este, entregou as finanças a uma técnica fiel e obediente à troika, tão vazia de cabeça como o seu ex-aluno e agora chefe, Passos Coelho.

Por isso, dá vontade de rir ouvir alguns falarem na “estratégia” do governo para o pós-troika ou para o que quer que seja. Estratégia? qual estratégia? O governo não tem estratégia nem estrategas, assemelha-se a uma orquestra desafinada e sem maestro.

 

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Uma resposta a De como o CDS tem engolido sapos vivos

  1. F Soares diz:

    A estratégia confunde-se com o objetivo : desmantelar o país, como anunciou L F Menezes, antes desta gente chegar ao poder. E nisso são competentes.

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